A rejeição dos homens sul-coreanos ao feminismo

Porque os homens sul-coreanos estão rejeitando o feminismo.

Na mesma esquina do bairro sul-coreano de Seul, onde 10 mil mulheres sul-coreanas se reuniram em outubro do ano de 2019 para exigir o fim da violência sexual contra as mulheres, o líder de um novo grupo ativista se dirigiu a um pequeno grupo de homens jovens afirmando:

“Somos um grupo de justiça legal, anti-ódio e verdadeira igualdade de gênero”.

As palavras são do jovem Moon Sung-ho, que falava em um microfone para uma multidão de algumas dezenas de homens segurando cartazes. A medida que as ideias feministas começam a penetrar dentro da sociedade sul-coreana, há um crescente descontentamento entre os jovens do país pelos efeitos nocivos que políticas feministas tem causado, assunto ainda ignorado pela grande mídia. 

Moon, o jovem que lidera o Dang Dang We, um grupo “que luta pela justiça para os homens”, é um deles. Ele iniciou seu grupo em 2018, depois que um empresário de 39 anos foi condenado a seis meses de prisão por uma mulher ter dito que ele havia pegado em suas nádegas em um restaurante. O caso provocou indignação pelo fato do homem ser condenado apenas pela acusação da vítima, sem nenhuma outra evidência.

Casos como esse têm se tornado comuns em vários lugares, graças ao fato que a ideologia feminista passou de simples ideia para transforma-se em leis e políticas em muitos países. Graças ao discurso feminista de que ”todo homem é condicionado ao machismo”, muitas leis já estão previamente condenando homens em supostos casos de abuso ou assédio contra mulheres somente por serem homens.

Moon, ao contrário de outros que apenas culpavam o juiz que proferiu a sentença encontrou a verdadeira raíz do problema: o feminismo. Moon e seu grupo realizaram um painel de discussão na Assembléia Nacional, a principal legislatura da Coréia, em setembro de 2019, para expor o que eles consideram os supostos danos do movimento feminista.

Disse Moon, para um platéia de homens jovens que o assistiam:

“O feminismo não é mais sobre igualdade de gênero. É discriminação de gênero e sua maneira é violenta e odiosa”.

Na sociedade coreana, o movimento feminista vêm ganhado força principalmente pela exploração política do assassinato brutal de uma jovem coreana perto de uma estação de metrô no bairro de Seul, Gangnam, em 2016. O agressor mirou deliberadamente uma vítima do sexo feminino. A morte da mulher desencadeou um exame de atitudes em relação às mulheres no país, que se ampliou para incluir campanhas contra o assédio sexual, como o movimento #MeToo e protestos contra câmeras anti-espião, apelidado de #mylifeisnotyourporn.

As líderes e ativistas feministas sul-coreanas encontraram apoio até mesmo do governo sul-coreano e do presidente Moon Jae-In, que prometeu “se tornar uma presidente feminista” antes de ser eleito em 2017.

Assim como o movimento #MeToo nos Estados Unidos, desencadeado pela elite artística feminista de Hollywood contra o ”abuso e assédio sexual” dentro da indústria, houve também uma histeria promovida em torno de supostos casos de crimes sexuais praticados por homens. O que se seguiu foi uma verdadeira ”caça as bruxas”, com uma série de denúncias contra artistas, músicos de K-Pop e homens comuns, muitas delas baseando-se apenas no relato de mulheres que alegavam terem sido ”vítimas” de supostos abusos. Mesmo sem provas ou mais evidências contra estes homens, isso não impediu que a grande mídia fizesse eco ás denúncias e muitos deles foram condenados.

Logo, muitos homens jovens sul-coreanos passaram a enxergar o perigo que tal episódio representava, já que muitos destes homens foram condenados sem muitas evidências de que tivessem cometidos crimes de assédio sexual.

“Não apoio o movimento #MeToo”, disse Park, um estudante de negócios de 20 e poucos anos que discorda veementemente da noção de que as jovens mulheres hoje são prejudicadas na sociedade:

“Eu concordo que (mulheres) entre 40 e 50 anos (fizeram sacrifícios), mas não acredito que mulheres entre 20 e 30 anos estejam sendo discriminadas”.

Outro jovem sul-coreano, Kim, disse que tem o hábito de se sentar longe de mulheres em bares para evitar ser falsamente acusado de assédio sexual. Embora ele já apoiasse o feminismo, ele agora acredita que é um movimento de supremacia feminina que visa derrubar os homens:

“Quando uma mulher veste roupas reveladoras, é violência de gênero e objetificação sexual. Mas o mesmo crítico desfrutará de uma foto semelhante dos homens. As feministas têm um duplo padrão”.

Kim diz que homens como eles estão sendo punidos pelos crimes de uma geração anterior:

“O patriarcado e a discriminação de gênero são o problema da geração mais velha, mas a penitência é paga pelos homens na casa dos 20 anos”.

O sentimento dos jovens sul-coreanos parece mesmo confirmar uma rejeição ao feminismo. Uma pesquisa da Realmeter feita em 2018 no país, que entrevistou mais 1.000 adultos constatou que 76% dos homens na faixa dos 20 e 66% dos homens na faixa dos 30 anos se opõem ao feminismo, enquanto quase 60% dos participantes na faixa dos 20 anos acham que as questões de gênero são a fonte mais séria de conflito no país.

Importado dos EUA, movimento feminista #MeToo desencadeou uma onda de condenações contra homens na Coréia do Sul por supostos casos de ”assédio sexual”.

Outra percepção dos jovens sul-coreanas é de que as mulheres sul-coreanas estão se beneficiando de novos programas governamentais que as ajudam a entrar nas indústrias tradicionalmente dominadas por homens.

O governo ”feminista” de Moon está tentando aumentar o número de mulheres nas forças armadas, onde atualmente representam cerca de 5,5% das tropas ativas, de acordo com os números mais recentes. Mas agora, as mulheres estão isentas do recrutamento obrigatório.

Para o jovem Park, que foi ferido durante seu tempo no exército e diz que não recebeu nenhum benefício do serviço militar:

“É injusto que apenas um gênero deva servir durante os 20 anos. Deveríamos estar perseguindo nossos sonhos”.

Tal percepção parece também ser a de muitos jovens sul-coreanos, como constado pela pesquisadora Ma Kyung-hee, pesquisadora de políticas de gênero do Instituto Coreano de Desenvolvimento da Mulher. O estudo de Ma Kyung-hee com 3.000 homens adultos descobriu que 72% dos homens com 20 anos pensam que o serviço militar obrigatório somente para homens é uma forma de discriminação de gênero, e quase 65% acreditam que as mulheres também devem ser recrutadas. Quase 83% acreditam que é melhor evitar o serviço militar, se possível, e 68% acreditam que é uma perda de tempo.

Ma descobriu que muitos homens mais jovens acreditam que são as mulheres que detêm o poder. Para eles, o movimento #MeToo, serviço militar obrigatório apenas para homens e programas do governo privilegiando mulheres são sinais de que políticas feministas contra os homens estão ganhando cada vez mais terreno do país.

Tendo essa percepção crítica contra a penetração das ideias radicais feministas dentro da sociedade sul-coreana, muitos homens já estão buscando líderes dentro da política do país que possam frear tais políticas.

Um deles é Lee Jun-seok, empresário de 34 anos e membro sênior do partido centrista Bareun Mirae Party, que acusou publicamente feministas de fazer uma busca injusta por privilégios às custas dos homens. Uma série de vídeos do YouTube de Lee, intitulados “uma feminista sendo destruída por Lee Jun-seok em debates” tem mais de 4 milhões de visualizações e dezenas de milhares de comentários, quase todos elogiando Lee.

Lee fez sua estréia política em 2011 quando ingressou no conselho de liderança do Partido Conservador Saenuri, responsável por produzir um conjunto de medidas de reforma. A então sul-coreana Park Geun-hye o escolheu para o cargo. Antes de entrar na arena política, ele era um empreendedor iniciante em educação que fundou a Edushare para ajudar a dar a crianças carentes acesso à educação de qualidade. Lee concorreu sem sucesso na eleição da Assembléia Nacional de 2016 no distrito de Nowon, em Seul, para se tornar um legislador com a multa do partido conservador.

O empresário e político Lee Jun-seok têm se destacado como um dos principais críticos e opositores do feminismo radical na Coréia do Sul.

Lee é um crítico feroz das políticas feministas do Partido Democrata sul-coreano no poder e acredita que elas estão discriminando cada vez os homens jovens do país:

“À medida que (o Partido Democrata no poder) caminha em direção aos direitos das mulheres, a geração (de homens) entre os 20 e os 30 anos se sente claramente perdida”.

Lee sugere que um partido com uma forte mensagem anti-feminista possa surgir nas eleições gerais, assim como grupos de direita surgiram na Europa para se levantar contra políticas feministas e a agenda politicamente correta imposta goela abaixo por políticos globalistas.

Lee se caracteriza como um crítico do feminismo radical e das políticas baseadas em cotas para colocar mais mulheres no parlamento ou em outros cargos eletivos. Ele disse que essas políticas são míopes e apenas fazem um desserviço à concorrência justa. Ele afirma frequentemente que o movimento feminista da Coréia do Sul está indo na direção errada:

‘As feministas coreanas sentem que estão em dívida com a Womad porque o grupo radical iniciou com sucesso o movimento feminista neste país. Antes da Womad, poucas pessoas prestavam atenção às causas feministas. Mas a Womad era diferente. Elas chamaram a atenção da mídia convencional, que era um grande negócio para as feministas moderadas, porque o grupo radical conseguiu o que as moderadas não puderam”.

O político conservador comparou o grupo feminista radical sul-coreano Womad a um grupo terrorista, acusando-os de alimentar o ódio de gênero e colocar as mulheres contra os homens. Afirma ele em seu livro “Fair Competition: Asking Value and Future of Korea’s Conservativism”:

“As ativistas da Womad não detonam ou jogam bombas, mas o que eles fazem não é diferente do terrorismo”.

Por enquanto, os esforços do partido conservador sul-coreano para atrair jovens parecem estar dando resultados. De acordo com uma pesquisa da Gallup no início de 2019, homens sul-coreanos entre 20 e 30 anos eram os maiores apoiadores do Bareun Mirae Party de Lee.

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