O estilo de Bolsonaro de não abandonar aliados

O presidente têm procurado não afastar em definitivo aliados do governo que são dispensados de alguma função.

O presidente Jair Bolsonaro têm demonstrado um estilo interessante dentro de sua estrutura ministerial. Demonstrando lealdade a aliados, o presidente têm adotado um estilo de, ao dispensar algum Ministro ou auxiliar, oferecer-lhe nova posição na estrutura pública.

Ao demitir na semana passada o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) do Ministério da Cidadania, o presidente Jair Bolsonaro reforçou essa prática. Para Terra, foi sinalizada a chance de ocupar uma embaixada. Antes dele, cinco dos seis colaboradores que deixaram o primeiro escalão também receberam propostas semelhantes como uma espécie de ”prêmio de consolação”.

A postura, segundo pessoas próximas ao presidente, tem origem na cultura militar. Na caserna, não costuma haver demissão. Ao dispensar os serviços de um auxiliar, o superior faz um elogio público e o transfere para outra função, longe de seu convívio. Politicamente, ao recorrer a este procedimento, Bolsonaro tenta evitar que ex-integrantes do governo se tornem inimigos.

Bolsonaro propôs a Osmar Terra que este assumisse o posto de embaixador no Canadá, na Espanha ou na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A oferta foi costurada pelo ex-mandatário da Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que substituiu o colega na pasta da Cidadania após ser exonerado da Casa Civil e ser substituído pelo general Braga Netto, nomeado para o cargo na última quinta-feira(13.02).

No entanto, Terra acabou rejeitando a proposta já que, se aceitasse o convite, o parlamentar deveria abrir mão do mandato de deputado federal.

Até agora, apenas dois ex-ministros aceitaram um novo emprego em estatais. Demitido em 6 de fevereiro do Ministério do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto ganhou a presidência da DataPrev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência). Outro aliado não esquecido por Bolsonaro foi o general Floriano Peixoto, que, ao deixar a Secretaria-Geral da Presidência, em 2019, assumiu os Correios e mantém bom trânsito no Planalto.

O primeiro a deixar o governo, logo no início de 2019, Gustavo Bebianno também recebeu oferta de trabalho em outras áreas. Na ocasião, Bolsonaro ofereceu a Bebianno, que coordenara sua campanha, a diretoria administrativa da Itaipu Binacional. A proposta foi feita diante de Onyx e do vice-presidente Hamilton Mourão. Diante da negativa, sondaram para as embaixadas em Portugal ou na Itália. A demissão de Bebianno ocorreu em meio a suspeita de que o PSL, antigo partido de Bolsonaro, usou candidatura “laranja” nas eleições de 2018. O mesmo motivo levou Bolsonaro a deixar o PSL e romper com Luciano Bívar, presidente da sigla e também suspeito de envolvimento com candidaturas laranja no Estado de Pernambuco.

Exonerado após uma intriga dentro do governo, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz também teve a possibilidade de ganhar novo posto. Bolsonaro disse que ofereceu ao militar ”o cargo que quisesse” mas Santos Cruz rejeitou. Disse que não estava em busca de emprego. Após a saída do governo, o general passou a atacar o governo.

O único que não recebeu proposta de emprego após a demissão foi Ricardo Vélez Rodríguez, antecessor de Abraham Weintraub na Educação. Bolsonaro admitiu que errou entregar o ministério ao professor.

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