O colonialismo global da China

o mundo contemporâneo, não há dúvida nenhuma de que a China se tornou uma grande potência geopolítica, que não apenas pode, como pretende dominar o mundo muito em breve. Eles se organizaram para isso, e estão determinados a conquistar todos os seus objetivos políticos, de uma forma ou de outra. Não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que a China se aproxima de nações diversas com a pretensão de estabelecer relações diplomáticas “cordiais” e “amigáveis”, como “legítimos” parceiros comerciais.

Longe disso; a verdade é muito mais nefasta, ardilosa e sombria. E a realidade dos fatos atesta a veracidade do perigo que é o governo totalitário da China contemporânea, um festival de horrores que deixaria a mais opressiva das ditaduras ocidentais parecendo um formidável e festivo parquinho de diversões.    

Desde 2013, a China é liderada pelo autocrático e despótico Xi Jinping, que ocupa formalmente os cargos de presidente, secretário geral do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central. Desde que assumiu a liderança política da China, ele obteve imensurável êxito em concentrar cada vez mais poderes e atribuições em suas mãos. Tanto que conseguiu eliminar a cláusula que restringia o exercício da presidência a dois mandatos — o que foi instituído por Deng Xiaoping por volta de 1982 — e recentemente o tecnocrata incorporou até mesmo suas convicções políticas à constituição, cuja nomenclatura, O Pensamento de Xi Jinping Sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era, ou simplesmente o Pensamento de Xi Jinping, foi estabelecido como o novo credo político da China contemporânea. Xi Jinping é o grande mandatário, o líder soberano que manda em tudo e em todos, e atualmente é a liderança máxima do Partido Comunista Chinês, que governa a China desde 1949, ano em que foi estabelecido o comunismo no país, depois de uma ardilosa guerra civil entre comunistas e nacionalistas. 

Depois do intempestivo e cruel sofrimento infligido aos chineses em virtude do inflexível sistema de planejamento central da economia — que ocorreu sob o governo do ditatorial e pérfido Mao Tsé-tung, entre 1949 e 1976, e cujo catastrófico resultado incorreu na morte de milhões de chineses por inanição —, a China começou a usufruir de um período de prosperidade com o benévolo e pragmático Deng Xiaoping, que, depois de assumir o poder, em 1978, devolveu aos chineses determinadas liberdades individuais, ao menos de um ponto de vista relativo. Ele também implementou políticas de mercado liberais, que possibilitaram à sociedade chinesa adquirir um certo nível de prosperidade e desenvolvimento, que lhes havia sido categoricamente negado nas décadas anteriores, em que vigoraram as ferrenhas, verticais e ditatoriais políticas marxista-leninistas. 

Não obstante, com a reabertura da economia, o governo percebeu que projetos políticos capitaneados pelo sistema de capitalismo de estado que fora adotado pelo partido possibilitavam às autoridades acumular ainda mais poder discricionário sobre a sociedade. Isso poderia não apenas prolongar a vitalidade do regime, como expandir o seu escopo de controle e atuação. Em algumas décadas, o governo chinês percebeu que era forte candidato a ser uma potência global, caso expandisse seu potencial produtivo por meio de subsídios estatais vitalícios. 

O crescimento econômico da China se manteve relativamente estável desde que políticas econômicas mais liberais foram adotadas. Não obstante, é fundamental entender que a China, apesar de ser capitalista na economia — no entanto, é muito mais capitalismo de estado do que capitalismo de mercado, convém enfatizar —, permaneceu ditatorial na política. Quem está no poder ainda é o Partido Comunista Chinês; portanto, a verdade é que o sistema de planejamento central autocrático e vertical continua a vigorar na prática. Para todos os efeitos, podemos dizer que a China pratica um sistema misto, uma espécie de socialismo de estado financiado pelo capitalismo político.

A ascensão de Xi Jinping, no entanto, mudou drasticamente o cenário da China no panorama geopolítico, de uma forma como nunca vimos antes, na história recente do Dragão Asiático. Mandatário ambicioso, Xi Jinping pretende fazer da China uma nova potência econômica e política, que não apenas irá disputar com os Estados Unidos a liderança dentro de um contexto global, como irá superá-lo em questão de pouco tempo. E é para atingir essas metas que o governo chinês está se empenhando arduamente, de forma tão draconiana quanto objetiva.

A ascensão de Xin Jinping ao posto de líder supremo da China significou um endurecimento ainda maior do já policial estado comunista chinês.

Assim que assumiu o poder como o líder máximo da nação, ficou muito evidente que Xi Jinping pretende se perpetuar como déspota e soberano absoluto. Em pouco tempo, Xi Jinping fez tudo o que podia para acumular poderes plenipotenciários, e concentrar a maior quantidade de atribuições possíveis em suas mãos. Com o objetivo de se perpetuar no poder, Xi Jinping eliminou da constituição a cláusula que limitava o exercício da presidência a dois mandatos. Depois, realizou um grande expurgo no Partido Comunista Chinês, eliminando rivais em potencial, assim como rivais de leais associados políticos, que o apoiavam incondicionalmente. De acordo com a “narrativa oficial”, o governo empenhou-se na execução de um ferrenho e ardoroso combate à corrupção, pretexto aceito pelos mais ingênuos analistas da política internacional. O que realmente aconteceu, no entanto, foi a eliminação sistemática de potenciais rivais, que poderiam oferecer resistência ao despotismo contumaz e ao sórdido estilo autocrático de governo do mandatário Xi Jinping. O que ele realmente pretende é governar como soberano absoluto, e consolidar uma ditadura pessoal de caráter vitalício. Esse objetivo sem dúvida nenhuma foi consolidado com sucesso. Xi Jinping hoje é o homem mais poderoso da China desde Mao, o fundador da ditadura comunista. E como Mao, possivelmente ficará no poder até morrer.  

Depois de chegar ao poder, Xi Jinping tomou providências condizentes com os seus objetivos. Para isso, empenhou-se em eliminar todas as formas de resistência e dissidência que pudessem existir contra ele e os projetos governamentais propostos pelo partido. Como o autocrata afirmou em uma das últimas conferências do Partido Comunista Chinês, ele, Xi Jinping, é quem toma as decisões, e não serão toleradas divergências. Ele reforçou a necessidade de se estabelecer uma unidade de pensamento. Mas com ele no comando; dele partem todas as decisões. Quem ousar discordar, evidentemente, será sumariamente eliminado.    

Além de se estabelecer como o soberano máximo da China, Xi Jinping pretende transformar o seu país em uma grande potência mundial. Para isso, ele sabe que estabelecer relações comerciais é fundamental; afinal, nenhum país no mundo ganha relevância política ou econômica isolado. No entanto, as relações comerciais que a China estabeleceu nas últimas décadas com diversos países são apenas o verniz de um ambicioso projeto de dominação de larga escala, muito mais pernicioso e funesto do que as pessoas poderiam imaginar. 

Como um predador que está sempre faminto, a China percebeu que poderia se apropriar das riquezas de várias nações vulneráveis e indefesas pelo mundo, colonizando-as de forma ostensivamente implacável. Com a consciência do seu enorme potencial econômico, sabendo que o dinheiro manda, o governo chinês percebeu que não existem limites para o que podem conquistar, expandindo sua envergadura de atuação pelo mundo. Nessa questão, a África é um bom exemplo. Durante a presidência de Hu Jintao — o antecessor de Xi Jinping, que governou a China de 2003 a 2013 —, a China colonizou efetivamente diversos países africanos, explorando e dominando todos os seus recursos naturais.

Destes, possivelmente o Zimbábue é o exemplo mais preponderante. Comprando autoridades, subornando políticos e monopolizando todas as riquezas minerais e vegetais, a China dominou o Zimbábue em questão de pouco tempo. De companhias de mineração ao setores de produtos e serviços, o Zimbábue — que por trinta e sete anos, de 1980 a 2017, foi dominado pelo cruel ditador socialista Robert Mugabe — hoje é simplesmente uma colônia chinesa, que escraviza a população local de acordo com suas necessidades econômicas e imperialistas. O que a China fez no Zimbábue, no entanto, ela replicou em dezenas de outros países, colonizando nações indefesas, usando a corrupção e a ganância de autoridades locais a seu favor para monopolizar e se apropriar de empresas, recursos e riquezas naturais. O colonialismo predatório global ganhou um novo significado com a atuação desenfreada da China pelo mundo. E o que é pior, não há nenhuma potência política, nem mesmo os Estados Unidos, disposto a se opor ou conter o insidioso projeto global de poder e conquista do Dragão Asiático.  

Hoje, países como Birmânia, Laos, Camboja, Tadjiquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Sri Lanka e Paquistão, entre outros, são países que, de uma forma ou de outra, são inteiramente dependentes da China. A China tem a posse de praticamente todas as jazidas de jade do noroeste da Birmânia — terceiriza a extração através de pobres mineradores locais e depois paga o que quer pelas pedras brutas, normalmente, um preço inferior ao valor de mercado — e a astronômica dívida pública do Paquistão tem por credores os maiores bancos chineses. Habitantes de nações como Camboja e Sri Lanka hoje são obrigados a aceitar o fato de que seus países transformaram-se, na prática, em colônias chinesas. Países com mão de obra barata, cujas riquezas podem ser todas extraídas, expropriadas e enviadas para os grandes conglomerados chineses.

Mas a China não vai parar por aí. A criação da Rota da Seda, anunciada em 2017 por Xi Jinping, é um ambicioso projeto governamental que consiste na construção de uma enorme infraestrutura ferroviária que ligará a Ásia à Europa, com o objetivo de tornar mais rápido e dinâmico o intercâmbio comercial transcontinental. O nome é derivado das rotas históricas usadas por comerciantes da antiguidade que levavam produtos diversos do sul da Ásia para o Oriente Médio e a Europa.

Com a estratégia da penetração comercial na Ásia e África, a China conseguiu fazer com que vários países da região se tornassem totalmente dependentes do país.

A onipresença da China a transformou em um denominador comum imprescindível para o mundo dos negócios. Dominando o capitalismo de cima para baixo, hoje o Dragão Asiático está presente como acionista majoritário ou minoritário em mais de cinco mil empresas em cento e setenta e quatro países. Como a fome voraz desta potência imperialista não conhece limites, no entanto, eles pretendem apenas expandir seu campo de operações e jamais retroceder. 

Não obstante, a ambição de dominação total e completa da China sobre o mundo é muito mais ambiciosa, ardilosa e funesta do que as pessoas pensam, e vai muito além da esfera das relações políticas ou comerciais. Muito mais do que o marxismo-leninismo ortodoxo que vigorava como o eixo axial das políticas governamentais há décadas atrás, hoje o Partido Comunista Chinês obedece a uma filosofia nacionalista conhecida como Tianxia, uma doutrina complexa, cujos ensinamentos afirmam que os chineses — mais especificamente a etnia Han, em virtude de uma suposta origem superior, que não compartilharia um denominador comum com o restante da humanidade — são por direito os legítimos governantes do mundo, e estão destinados a liderar toda a raça humana; sua superioridade inerente, portanto, lhes confere o direito legítimo de governar toda a humanidade. 

Outrossim, esta é uma das razões pelas quais os chineses pretendem ampliar sua intervenção nos quatro cantos do globo terrestre, para conquistar o seu suposto direito como os legítimos imperadores da humanidade. Há alguns meses atrás, o déspota Xi Jinping chegou inclusive a afirmar que a China é a única nação verdadeiramente soberana que existe no mundo. Por trás desta afirmação ostensivamente grandiloquente, escondem-se as pretensões colonialistas do império chinês, que está disposto a fazer o que for necessário para conquistar os seus objetivos. 

Sendo uma ditadura totalitária, que não permite que seus cidadãos usufruam de direitos mínimos, como a liberdade de ir e vir, de acessar a internet ou até mesmo de exercer sua espiritualidade através da crença religiosa, o governo chinês é uma autocracia tirânica e autoritária, que asfixia de forma brutal e contundente todos os integrantes da sociedade, colocando-os em uma posição de completa e total submissão. Dominando o mundo de dentro para fora, é perceptível o fato de que a primeira coisa que vai embora aonde quer que o Partido Comunista Chinês esteja no comando é a liberdade. Todos passam a ser tratados como vassalos do estado totalitário, e espera-se de todos obediência incondicional, com toda a subserviência e sujeição por parte dos dominados.  

Quando analisamos a China debaixo de um microscópio, sem abordagens ou predicados superficiais, fica muito fácil perceber a brutalidade com a qual o governo despótico trata os seus próprios cidadãos. A República Popular da China hoje é a terceira maior nação do mundo, sendo composta por mais de uma centena de diferentes raças e etnias. A enia Han — aquilo que efetivamente conhecemos por “chinês”, o que na verdade não passa de uma expressão nacionalista genérica, destituída de valor técnico —, no entanto, é a predominante. E ela trata com agressiva, hostil e cruel brutalidade todas as demais raças e etnias. O objetivo é tornar todas as pessoas servos submissos da ditadura. Ao observarmos como o governo chinês trata os seus cidadãos, vamos chegar à constatação prática de que se trata da mais cruel, mortífera, implacável e sanguinária ditadura totalitária que já existiu na história humana. Os próprios nazistas, por comparação, seriam considerados os ursinhos carinhosos. E tal afirmação, por incrível que pareça, não é exagero nenhum.   

A etnia Han trata todos os demais povos de forma extremamente discriminatória e cruel, forçando raças e etnias a um processo de assimilação forçado. Foi isso o que aconteceu, por exemplo, com o povo manchu, natural da Manchúria. Hoje, a grande maioria dos manchus sabe falar apenas o mandarim, nunca tendo aprendido o seu idioma de origem. Aparentemente, o número de manchus que é fluente no seu idioma materno é de pouco mais de uma centena. A erradicação da língua e da cultura de povos que vivem em território chinês na verdade é extremamente comum.

O governo chinês faz isso para submeter esses povos ao seu projeto vertical de dominação e conquista, sufocar nacionalismos periféricos e impedir movimentos separatistas de ganhar relevância. A China faz isso porque sempre teve — ao longo de toda a sua história —, agressivas pretensões imperialistas. E não há melhor maneira de reforçar tais políticas do que sufocar os povos estrangeiros que vivem em seu território, relegando-os a uma cruel e deplorável condição de servidão permanente.     

Um povo que sofre de forma contumaz nas mãos do governo totalitário chinês são os uigures. Os uigures — turcomenos que vivem na região de Xinjiang, no noroeste do país — sofrem ainda mais perseguição por parte do governo totalitário. Já faz alguns anos que toda a região onde vivem vem sendo ostensivamente monitorada pelo governo. Famílias são forçadas a adotar entre seus integrantes membros da etnia Han, para passar pelo processo de assimilação cultural compulsório. São obrigados a abandonar sua língua de origem, suas tradições e sua cultura, e adotar os hábitos dos chineses da etnia Han. Não raro crianças são separadas de seus pais, e doutrinadas compulsoriamente pelo estado totalitário.   

Em uma tentativa de radicalizar o autoritarismo governamental e o processo de homogeneização cultural, no entanto, o governo totalitário também está sumariamente empenhado na erradicação de todas as religiões, com o objetivo de implementar o ateísmo marxista-leninista como a política oficial de estado. Isso está sendo realizado justamente para que o estado se torne o soberano máximo de toda a sociedade, e não tenha que competir com a autoridade divina. Nessa questão, os uigures — que são em sua maioria muçulmanos — também estão sofrendo todos os horrores da bestialidade sardônica e desumana do despótico e cruel governo totalitário chinês. 

Políticas do estado para perseguir comunidades religiosas tornaram-se cada vez mais comuns na China, cujo governo busca instituir um ateísmo forçado sobre a população.

O governo chinês começou sua ofensiva contra os uigures transformando a região de Xinjiang em um verdadeiro estado policial. Posteriormente, passou a vigiá-los ininterruptamente, 24 horas por dia. O pretexto do governo é combater o extremismo islâmico, mas o que os mandatários do Partido Comunista efetivamente pretendem é suprimir o desejo dos uigures de separar-se da China e serem independentes, já que eles possuem aspirações separatistas. Algo natural; afinal, escravos tem todo o direito de almejar e lutar pela sua liberdade.

Como se esse festival de agressões e tirania estatal fossem insuficientes, o governo forçou mais de um milhão de uigures a serem realocados compulsoriamente para campos de doutrinação — chamados eufemisticamente de “campos de reeducação” —, onde eles são sistematicamente torturados, e obrigados a renunciar às suas crenças religiosas, e a jurar lealdade absoluta a Xi Jinping e ao governo chinês. Os indivíduos que morrem vítimas dos abusos, da violência e da tortura sistemática são rapidamente incinerados em grandes fornalhas, para impedir os familiares de reclamarem o corpo da vítima e dar ao mesmo um funeral religioso. Essa brutalidade maligna está sendo estendida, de diferentes formas, a praticantes de todas as religiões.  

Cristãos, evidentemente, estão sofrendo da mesma maneira sob o despótico regime de Xi Jinping. Diariamente, Bíblias são confiscadas, pastores são encarcerados, missionários estrangeiros são deportados e igrejas são destruídas. O governo está asfixiando o cristianismo de formas muito particulares, regulando a prática religiosa de forma cada vez mais arbitrária e tirânica. O governo chinês afirmou que pretende reinterpretar a Bíblia Sagrada, para deixá-la compatível com os princípios do socialismo. Como forma de intimidar os fiéis, o governo recentemente passou também a oferecer aos cidadãos substanciais recompensas financeiras para quem denunciar vizinhos cristãos, ou residências que servem como local de adoração.    

O governo totalitário recentemente passou a interferir de forma discricionária na liturgia, exigindo que canções clericais fossem substituídas por cânticos patrióticos, e que a bandeira chinesa seja hasteada antes do início das reuniões. Recentemente, uma congregação foi obrigada a retirar imagens de Cristo, e substituí-las por retratos do ditador Xi Jinping. Apenas congregações cadastradas poderão permanecer em atividade; ou seja, aquelas que cumprem os requisitos nefastos e seculares exigidos pelo estado totalitário. É necessário enfatizar que o cristianismo nunca usufruiu de liberdade plena na China; não obstante, atualmente vive o seu pior momento de proscrição, como nunca antes na história desse país. 

Membros de uma religião conhecida como Falon Gong também são vítimas do despótico governo totalitário há duas décadas, de formas tão desumanas quanto excruciantes. Estes são tratados literalmente como mercadoria pelo governo totalitário chinês. Integrantes desta crença são deliberadamente sequestrados para serem assassinados e terem seus órgãos retirados, para serem comercializados no mercado negro de órgãos humanos. Isso é realizado como política de estado. O nefasto e pernicioso Jiang Zemin — que foi presidente da China de 1993 a 2003 — criou um departamento governamental dedicado exclusivamente a essa finalidade, perseguir, encarcerar e assassinar membros da religião Falon Gong, o infame e macabro Escritório 610.

Em determinados casos, é possível encomendar qualquer órgão, rins, coração, fígado, córneas, e exigir que tenha sido retirado de um membro da religião Falon Gong. Como não fumam, nem bebem — em função de sua crença —, são pessoas muito saudáveis. E não vamos nem falar dos budistas que são sequestrados, torturados e assassinados diariamente no Tibete, outra região que há décadas luta por autonomia e independência, mas permanece sendo escravizada pelo governo totalitário de Pequim.

Para entendermos o governo chinês, e seu perverso e doentio totalitarismo histriônico, precisamos compreender sua inclinação contumaz ao controle absoluto. O governo pretende controlar tudo e todos, e não deixará ninguém de fora do seu radar. Para este ano de 2020, o governo pretende finalizar o cadastro oficial de toda a população em uma grande plataforma governamental, que armazenará informações sobre todos os cidadãos e todas as empresas que operam no país. Ninguém ficará de fora. Além disso, com a implementação do sistema de crédito social, ninguém terá opções a não ser obedecer o governo em absolutamente tudo. Caso contrário, a vida poderá ficar bem difícil. 

O sistema de crédito social é uma das maiores aberrações tecnológicas já criadas a serviço do totalitarismo e da tirania. Cada cidadão possui um sistema de créditos, que vai decrescendo conforme o indivíduo faz coisas reprovadas pelo governo. Comprar bebidas alcoólicas, criticar o governo nas redes sociais — que são monitoradas — ou expressar algum tipo de crença religiosa o fará perder pontos. Consequentemente, o cidadão sofrerá algum tipo de punição correspondente, como ficar impossibilitado de comprar determinados produtos ou de usufruir de determinados serviços. Por exemplo, hoje, em função de uma pontuação baixa no sistema de crédito social, milhares de pessoas na China não podem andar de metrô ou de avião. Podem tentar comprar as passagens, mas a compra não é concluída. Esta, no entanto, é apenas uma das inúmeras restrições aplicadas pelo governo totalitário aos cidadãos arbitrariamente categorizados como “transgressores”. Se a pontuação de uma pessoa ficar muito baixa, ela pode até mesmo perder o emprego, ou ficar impossibilitada de se candidatar a determinadas vagas de trabalho. 

Com o passar do tempo o estado totalitário chinês passou a encontrar novas formas de dominação da população como o ”crédito social”.

Como o governo totalitário monitora sistematicamente as redes sociais, aplicará também uma espécie de culpa por associação a toda a população. Quem tem um parente, um amigo ou estiver direta ou indiretamente associado a um indivíduo que tem baixa pontuação, perderá pontos também. O plano parece ser relegar ao ostracismo total e completo todas as pessoas que mantiverem uma pontuação baixa no sistema de crédito social, forçando-as a viver em uma condição marginal de párias isolados e indesejados, que sobrevivem de forma precária com poucos recursos, ou até mesmo completamente destituídas. Por outro lado, as enormes dificuldades que uma condição dessas acarretará deixará as pessoas mais propensas a obedecer o governo em tudo, como cidadãos impreterivelmente dóceis e submissos.  

Como se todo esse controle aviltante, perverso e invasivo fosse pouco, o governo chinês também está expandindo de forma truculenta e arbitrária a vigilância sobre toda a população. Sendo hoje a sociedade mais vigiada do mundo, estima-se que atualmente existam aproximadamente duzentos milhões de câmeras espalhados por todo o país, e o governo pretende instalar quatrocentos milhões nos próximos anos. A tecnologia digital está tão avançada que — com o cadastramento de toda a população, a ser concluído em breve — será possível para o estado reconhecer qualquer indivíduo, seja pelo registro facial, seja pelo seu jeito de andar, com uma margem de erros tão irrelevante, que será uma impossibilidade para qualquer cidadão escapar ao monitoramento hostil e ininterrupto do estado totalitário. 

A China hoje está se transformando em uma perniciosa e nefasta prisão continental, a mais sórdida, cruel e implacável que já existiu em toda a história humana. Com o derradeiro objetivo de controlar toda a população, e com a expansão de sua irrefreável voracidade colonialista, a China se torna o eixo axial de um sistema totalitário que ganhará enorme projeção global nesta década, sem ninguém que ofereça resistência ativa às suas ambições sórdidas e draconianas de poder absoluto. Desta forma, vender sistemas de vigilância e controle social para ditaduras — bem como converter países livres em regimes totalitários — são etapas comerciais e políticas que integram o nefasto e agressivo projeto despótico de colonização global da China imperialista. Recentemente, um político americano chegou a propor a implementação do sistema de crédito social nos Estados Unidos. Se este sistema for implementado por lá, será apenas uma questão de tempo até ser adotado por todos os demais países do mundo, em consequência da geração de um efeito dominó. Os chineses sabem disso, e por essa razão financiam inúmeros políticos e lobistas em países de interesse, como Brasil e Estados Unidos, para levarem adiante a sua funesta agenda de dominação total. 


A verdade para a qual poucos atentam é que hoje a China é possivelmente a maior ameaça já enfrentada pela humanidade em toda a sua história. A China representa uma deplorável ameaça real as liberdades individuais, em todos os setores e campos de atuação da sociedade humana, seja ele político, econômico, comercial, artístico ou pessoal. Onde o governo chinês atua, a liberdade é o primeiro elemento a desaparecer. Infelizmente, esta ameaça não está sendo encarada com a devida seriedade pela comunidade internacional.    

Evidentemente, regiões próximas da China estão sentindo com muito mais brutalidade e voracidade as agruras bestiais do seu despotismo, especialmente territórios que a China considera seus por direito, mas que ainda não foram dominados completamente. Regiões autônomas da China, como Hong Kong e países efetivamente independentes, como Taiwan, estão sofrendo as irascíveis consequências das irrefreáveis ameaças imperialistas da China totalitária. Desde o ano passado, protestos estão sendo realizados em Hong Kong, para tentar reverter medidas políticas que beneficiam a China continental, e tornam Hong Kong cada vez mais submissa às políticas discricionárias e verticais do governo totalitário de Pequim. Manifestantes passaram inclusive a exigir que Carrie Lam — a chefe do executivo da ilha —, renunciasse, pelo fato de que ela estaria sendo ostensivamente submissa às exigências políticas de Pequim. 

Taiwan é outro caso muito peculiar. Apesar do reconhecimento internacional limitado, Taiwan — também conhecida como Formosa —, é de fato um país independente. Com a conflagração da guerra civil na China continental entre comunistas e nacionalistas, estes últimos, depois de perderem a guerra, acabaram se refugiando em Taiwan. O seu líder, um militar chamado Chiang Kai-shek, instituiu na ilha uma brutal e ríspida ditadura, com o objetivo de rechaçar os comunistas e reconquistar o poder que perdera na China continental, algo que jamais aconteceria. Portanto, depois da guerra civil, assim como a China continental se tornou uma ditadura comunista, liderada por Mao Tsé-tung, Taiwan, de maneira muito similar, se transformou em uma ditadura nacionalista, liderada pelo comandante militar Chiang Kai-shek. Ao contrário da China continental, no entanto, os habitantes de Taiwan conseguiram subverter a ditadura na década de 1990, substituindo-a por um regime democrático. Desde então, Taiwan se tornou um dos países mais livres e prósperos do mundo, passando inclusive a integrar o grupo de potências econômicas que ficou conhecido como os Tigres Asiáticos. 

Apesar de ser efetivamente independente e nunca ter sido governada pelos comunistas da China continental, o governo totalitário de Pequim considera — como sempre considerou — Taiwan uma parte indissociável do seu território. E desde então, reclama o seu suposto direito de governar a ilha, que hoje tem na liderança política a presidente Tsai Ing-wen, uma mulher hábil de muita fibra, audácia e coragem, que desafia os ditadores políticos de Pequim, especialmente o líder máximo Xi Jinping, de forma aberta e ousada, tendo até mesmo recentemente os exortado a adotarem a democracia. Não obstante, a retaliação de Pequim está sendo ostensivamente brutal e implacável.

A pequena nação Taiwan têm se posicionado firmemente contra o imperialismo da China na Ásia, e sua presidente, Tsai Ing-wen, têm demonstrado uma postura abertamente contra os autocratas de Pequim.

O governo ditatorial ameaçou com embargos econômicos todos os países que ousarem reconhecer Taiwan como um país independente e soberano, e atualmente até mesmo algumas companhias aéreas que tem Taiwan por destino não reconhecem mais cidades da ilha, como a capital Taipei, como um destino taiwanês, mas como um destino chinês. Há muitos anos atrás, em uma tentativa de promover reconciliação, o governo que na época estava no poder em Taiwan ofereceu a Pequim a oportunidade de devolver à China continental as ilhas mais próximas do continente. Os habitantes destas ilhas, no entanto, protestaram com tanta mordacidade e veemência contra esta proposta, que ela não foi adiante.     

O que o mundo ainda não entendeu é que a China possui um projeto de colonização global, que está sendo meticulosamente executado de dentro para fora. De forma gradual, mas persistente, o Dragão Asiático avança no seu sórdido projeto de controlar o mundo, sem encontrar ninguém que lhe ofereça resistência ou oposição. E assim eles vão se aproximando de países em todos os continentes, usando as fraquezas de cada um a seu favor.  

Hoje, é fato que dezenas de países e regiões da Ásia já são completamente dependentes da China; muitos vivem literalmente na condição de escravos, com governos locais e regionais que são totalmente subservientes aos interesses chineses, pelos mais diversos motivos. Debaixo de uma fachada comercial “descontraída”, “afável” e “sorridente”, a China consegue esconder muito bem do resto do mundo o fato de que ela é na verdade uma ditadura totalitária marxista-leninista, envolvida na escravização, encarceramento, extermínio e democídio sistemático da própria população.

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O festival de horrores que é a China contemporânea deixaria qualquer indivíduo decente profundamente consternado, deprimido e indignado. Em sua ingenuidade e ignorância, no entanto, a grande maioria das pessoas realmente não tem a menor noção do festival de abominações, depravações e bestialidades que é a atual República Popular da China, um país onde impera um sistema feroz, arbitrário e ostensivamente tirânico, que devora diariamente centenas de pessoas inocentes de forma inescrupulosa, brutal e desumana, de maneira tão fria e automática quanto indiferente e corriqueira. O que interessa ao despótico governo de Xi Jinping é explorar, dominar e conquistar. Quem se opuser sentirá as dramáticas consequências de ter a China como inimiga.  

O que muitos ainda não entenderam é que os chineses (etnia Han) se lançaram em um sórdido e nefasto projeto para conquistar o mundo. Todos os demais povos, raças e nacionalidades serão os seus escravos. 


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