O cerco se fecha para Glenn

MPF denuncia o jornalista do The Intercept por associação criminosa com hackers que invadiram celulares de autoridades.

O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pelo Ministério Público Federal(MPF) junto com outras seis pessoas por crimes envolvendo invasões de celulares de autoridades. A denúncia será analisada pelo juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara de Justiça Federal de Brasília. As informações são do Conjur.

Além do jornalista, foram denunciados também os hackers Walter Delgatti Netto, Thiago Eliezer Martins Santos, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Luiz Henrique Molição e Suelen Oliveira.

Quem assina a denúncia é o procurador da República Wellington Divino de Oliveira. Em sua manifestação, o procurador alega que ficou comprovado que o jornalista auxiliou, incentivou e orientou o grupo de hackers durante o período das invasões de celulares das autoridades.

Parte das mensagens roubados pelo grupo foi publicada por Greenwald no seu site The Intercept numa série de reportagens em chamada “vaza jato”, onde o jornalista tentou prejudicar membros da força-tarefa da Operação Lava Jato, divulgando conversas entre os membros da operação. Mensagens privadas do Ministro da Justiça Sergio Moro também foram

A denúncia contra o jornalista ignorou a decisão de uma liminar feita pelo ministro do STF Gilmar Mendes, onde, em sua manifestação, proibia que autoridades públicas praticassem, em suas palavras:

”Atos que visem à responsabilização do jornalista Glenn Greenwald pela recepção, obtenção ou transmissão de informações publicadas em veículos de mídia, ante a proteção do sigilo constitucional da fonte jornalística”.

O procurador Wellington de Oliveira discordou da decisão do Ministro:

“A referida decisão criou uma espécie de imunidade especial e material jure et de jure, uma presunção absoluta de inocência, garantindo um ‘salvo conduto’ ao réu de ser investigado”.

Em sua alegação também, o MPF justifica a decisão para a denúncia contra Glenn já que uma conversa entre o jornalista e um dos hackers foi descoberta após apreensão de um computador. A conversa utilizada como prova da participação do jornalista estava no computador do hacker Walter Delgatti, um dos mentores do grupo.

Segundo a denúncia, a conversa aconteceu após a imprensa divulgar a invasão no celular de Moro. No diálogo, transcrito na denúncia, o hacker Luiz Molição teria pedido orientação ao jornalista sobre o que fazer.

Glenn teria indicado que as mensagens já repassadas a ele deveriam ser apagadas, para que o jornalista não fosse ligado à obtenção do material.

Para o MPF, a conversa entre Glenn e o hacker se caracteriza como:

”Clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção a fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos”.

Segundo o procurador, os diálogos demonstraram que Glenn Greenwald foi além ao indicar ações para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal.

Além do crime de associação criminosa, o MPF atribui a Glenn responsabilidade por 126 interceptações telefônicas sem autorização judicial e 176 invasões de dispositivo informático.

A denúncia pode ser lida aqui.

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