O Brasil vai voltar a decolar?

No final de 2019, os principais riscos para a atividade global arrefeceram, trazendo um grande alívio para os mercados. Um Brexit sem acordo está se tornando extremamente improvável e, ao que tudo indica, teremos um acordo parcial entre os EUA e a China sobre a guerra comercial. Embora esses eventos sejam positivos, segue o questionamento sobre sua capacidade de reverter a tendência de desaceleração do crescimento global dada a continuidade de incertezas e as discussões sobre o esgotamento da política monetária e necessidade de estímulos fiscais em áreas importantes do mundo.

Em relação à política monetária, o FED cortou novamente a taxa de juros e sinalizou que, caso seu cenário base de sustentação do crescimento da economia e inflação em torno da meta se consolide, não deverá promover novos cortes. Entretanto, seu presidente, Jerome Powell, sinalizou que qualquer aperto monetário estaria condicionado a uma elevação substancial da inflação, cenário bastante improvável hoje. Por fim, cabe mencionar a eleição de Alberto Fernandez na Argentina, e a onda de protestos sociais, violentos em sua maioria, em diversos países do mundo como Chile, Bolívia, Equador, Hong Kong, Iraque, Líbano e Espanha.

A respeito da última decisão do Comitê de Política Monetária (FOMC, em inglês). Vale a pena entender o que se pode esperar do mais importante Banco Central do mundo nos próximos meses. Houve duas conclusões importantes da reunião do FOMC. Primeiro, o Fed inclinou-se para uma pausa no ciclo de corte das taxas de juros. Segundo, Powell fez uma declaração forte, vinculando aumentos futuros das taxas de juros à inflação observada. A pausa no corte dos juros já parecia estar refletida na curva de juros antes da reunião, enquanto uma eventual elevação das taxas de juros em função da inflação observada não estava. 

Cenário Doméstico para 2020

O estrangeiro não se animou com o Brasil, mas dizer que vai se iniciar uma crise é um pouco forte. Não quero dizer que simplesmente não vai acontecer, mas qualquer leitura baseada em prazo mais curto não funciona

Antes de ter um posicionamento sobre o futuro da economia no cenário doméstico, externo minha preocupação com a insegurança jurídica causada pelo STF. Com normas regimentais e atos vergonhosos de aumento do fundo eleitoral, causam incerteza sobre a mudança que se espera da classe política. Não posso prever um prazo que será aprovado a reforma administrativa e reforma tributária, inclusive, podendo ser prejudicada por grupos contra o progresso econômico do Brasil. Ainda sobre a insegurança jurídica, na qual pode levar a uma demora para o Brasil entrar na OCDE. Visto a quantidade de delatores e indivíduos que cometeram crimes financeiros respondendo processo criminal em liberdade, devido a condenação após prisão em 2° instância. 

Referente ao crescimento do consumo e o aumento do PIB, pode ser prejudicado por fatores externos e internos. O endividamento de mais de 63 milhões de brasileiros é uma das causas da dificuldade em gerar um aumento no consumo das famílias. O banco central tem a meta de diminuir as taxas de juros cobradas por bancos, referentes a empréstimos, cartão de crédito e cheque especial. A previsão que 2020 seria o ano do ‘boom’ econômico, pode ser adiado para 2021

A atual recuperação do PIB tem sido inequivocamente abaixo dos padrões históricos no Brasil. Dados recentes de atividade continuaram decepcionando os analistas, inclusive a nós. Ao longo do ano passado, revisamos sequencialmente nossa previsão de crescimento do PIB para 2019 de 1,9% para 0,8%. De acordo com a pesquisa semanal compilada pelo Banco Central, o consenso também diminuiu de 2,6% para 0,8% no mesmo período.

O arrefecimento do entusiasmo dos analistas reflete uma combinação de vários fatores: tensões comerciais, desafios do crescimento global, turbulências na vizinha Argentina e uma postura monetária ainda rígida no Brasil. As condições atuais são ainda pouco inspiradoras quando vistas em comparação com a desaceleração anterior. Após uma contração acumulada do PIB de quase 9% entre o 1T14 e o 4T16, o Brasil recuperou apenas 3,8% das mínimas nos últimos dois anos e meio.

Embora reconheço o risco de ficar desapontado, agora acredito que a tão esperada recuperação econômica ocorrerá em 2021. Essa mudança de visão se apoia em alguns sinais nascentes que começaram a surgir. De acordo com as estimativas de crescimento do PIB o próximo ano para 2,0% (de 1,6%), o que seria o maior crescimento em sete anos. Ao mesmo tempo, aumento a estimativa de crescimento do PIB para o ano de 2019 para 0,9%, de 0,8%. Essas razões para serem mais otimistas embasam-se em três razões.

Primeiro, a política monetária está entrando em uma fase expansionista. O BCB reduziu sua taxa de referência (SELIC) em 150 bps para 5,0% até agora este ano. Prevejo que continuará a baixar as taxas para 4,5% até o final do ano. Esses cortes adicionais levarão a taxa real para cerca de 1,0%, bem abaixo da própria estimativa de taxa de taxa neutra (r*) de 2,5%. 

Segundo, o consumo deve crescer em ritmo mais acelerado nos próximos trimestres. Os fatores que sustentam o aumento dos gastos pessoais incluem maior renda disponível (ajudada pela inflação baixa e decrescente), criação de empregos, aumento da confiança do consumidor, crédito, além do desembolso do FGTS nos próximos 12 meses (estimado em 0,6% do PIB). Além disso, as taxas mais baixas já estão mudando o clima entre as incorporadoras.

.2019 em alta!

.Indústria a todo vapor!

.O que esperar da América Latina em 2020?

Por último, mas não menos importante, as reformas estruturais parecem estar no caminho certo. O governo conseguiu aprovar a reforma da Previdência Social na Câmara dos Deputados em agosto e o Senado acaba de aprovar definitivamente o projeto. Essa reforma ajudará a reduzir o risco fiscal nos próximos anos, além de sustentar a confiança dos negócios. Além disso, uma agenda de reformas econômicas como a Reforma Tributária e outras reformas microeconômicas já está em andamento, juntamente com algumas concessões e direitos de transferência de campos de petróleo que poderiam impulsionar o investimento nos próximos anos.

O resultado é que os sinais de recuperação econômica provavelmente se tornarão mais evidentes, dada a combinação dos apoios cíclicos e estruturais mencionados acima. No fim das contas, depois de anos de revisões para baixo do crescimento, nos tornamos mais positivos em relação a uma recuperação cíclica para 2020. O crescimento mais forte, por sua vez, tende a criar uma espécie de processo de feedback positivo, reforçando a visão entre a classe política de que a agenda liberal das reformas introduzidas pela equipe econômica é o caminho certo a seguir.

Renda Fixa

No fundo do poço havia um alçapão.

Início o editorial com essa frase, retirada de uma das maiores cartas de investimentos em fundos no Brasil a Western Management. As taxas de juros continuaram a sua queda livre (o pré Jan 25 recuou 64 pontos-base, enquanto a NTN-B 2050 recuou 29 pontos-base), refletindo as seguidas revisões do IPCA por parte dos agentes, como podemos observar no Gráfico. Teve início, então, uma competição para ver quem derrubava com mais força a previsão para a taxa Selic no final deste ciclo de cortes. O consenso do mercado (relatório Focus) indica 4,50% (que é também a nossa previsão), mas grandes players do mercado preveem taxas ainda menores.

Gráfico IPCA-FOCUS

De qualquer modo, a grande questão que se coloca não é tanto o nível final da Selic, mas por quanto tempo este nível será mantido. Especialistas acreditam que, com 4,50%, o BC terá condições de manter a taxa básica nesses patamares até pelo menos o final de 2020. Se esta visão estiver correta, há ainda algum prêmio na parte longa da curva de juros, única fonte, em nossa visão, de possíveis ganhos em taxas de juros nos próximos meses.

Reformas econômicas como a Reforma Tributária e outras reformas microeconômicas já está em andamento, juntamente com algumas concessões e direitos de transferência de campos de petróleo que poderiam impulsionar o investimento nos próximos anos. O resultado é que os sinais de recuperação econômica provavelmente se tornarão mais evidentes, dada a combinação dos apoios cíclicos e estruturais mencionados acima. No fim das contas, depois de anos de revisões para baixo do crescimento, nos tornamos mais positivos em relação a uma recuperação cíclica para 2020. O crescimento mais forte, por sua vez, tende a criar uma espécie de processo de feedback positivo, reforçando a visão entre a classe política de que a agenda liberal das reformas introduzidas pela equipe econômica é o caminho certo a seguir.  

Câmbio

O Real se valorizou 4,0% em outubro de 2019 em relação ao Dólar, voltando ao mesmo patamar que estava em meados de agosto. Assim como a desvalorização do Real no período anterior, a valorização recente não encontra nenhuma explicação fundamentalista, tendo provavelmente sido causada por fatores técnicos. 

Um ponto de atenção é a guerra comercial entre EUA e China. Houve uma recente revisão de metodologia que piorou um pouco os números, mas mesmo sem essa revisão, observo alguma deterioração. Com a retomada do crescimento econômico, precisamos observar como evolui este déficit, ainda que esteja sendo facilmente financiado pelo Investimento Estrangeiro Direto.

Bolsa 

A bolsa local voltou a subir no ano de 2019, fechando com altas (pelo IBrX) de 2,2%, atingindo novo pico histórico no dia 28/10. Esta alta refletiu, de maneira geral, alguns sinais, ainda tênues, de retomada da atividade econômica doméstica. Para avaliar o potencial de valorização da bolsa, estimamos o crescimento dos lucros nos próximos 12 meses e assumimos que o P/L da bolsa pode subir para 14,5x dos atuais 13,6x com a diminuição do risco-país com as taxas de juros em níveis historicamente baixos.

Esperamos crescimento dos lucros das empresas componentes do IBrX de 25% em 2019, 11% em 2020 e 9% em 2021. Se este cenário se confirmar, o P/L do IBrX , estaria em 13,6x. Considerando um P/L de 14,5x daqui a um ano (em out/20), e considerando o crescimento projetado dos lucros para os 12 meses seguintes (até out/21), o IBrX deveria subir cerca de 21% nos próximos 12 meses. 

*Autor: José Gustavo Araújo, colaborador e colunista do jornal Painel DN.

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