Carlos Junior

Colunista
Jornalista, colunista dos portais “Renova Mídia” e a “A Tocha”. Estudioso profundo da história, da política e da formação nacional do Brasil, também escreve sobre política americana. Colabora também com o Painel DN, em sua coluna ”Mundo Real”, com foco sobre política, história e cultura voltada para o público conservador sem o viés da grande mídia.

Lições da realidade

Para quem tem o mínimo de entendimento sobre a realidade e amor pela lógica dos fatos, uma constatação parece bastante patente: a esquerda é uma corrente ideológica recheada de ambiguidades. Nas posições defendidas, nos projetos, nos modelos de sociedades e nas raízes intelectuais. Seja em qual campo for, a duplicidade e a contradição são marcas que acompanham a trajetória esquerdista.

As posições, os projetos e os modelos de sociedade nada mais são do que subprodutos da intelectualidade e das influências culturais de políticos e intelectuais esquerdistas. Para uma melhor compreensão do paradoxo como carimbo perpétuo da esquerda, basta então entender o que ela produziu e pensou intelectualmente. 

A esquerda tem como nascimento a Revolução Francesa, a clássica divisão da Assembleia Geral entre girondinos e jacobinos – estes queriam mudar radicalmente tudo, aqueles desejavam reformas graduais e devolver a estabilidade ao país. Ser esquerdista passou a ser sinônimo de revolucionário, do escopo ardente e incontrolável de mudar absolutamente tudo e nada deixar como era antes.

Com o advento do marxismo, a esquerda passou a ter uma causa, uma classe para chamar de sua, um método de ação e um escopo definido. A causa era a melhoria das condições de vida do proletariado, a classe trabalhadora que de fato sofreu no começo da dita Revolução Industrial. O método de ação seria através de greves, formação de sindicatos e outras atividades para o despertar da consciência de classe e da desalienação – o estado de outrora no qual os trabalhadores eram escravizados sem saber e não se davam conta disso. O escopo seria o comunismo pleno, a representar o fim das desigualdades, das classes sociais, da exploração dos patrões e o estabelecimento do paraíso terrestre.

O marxismo nada mais é do que a simplificação da história humana através do viés econômico, da condição financeira, do status quo financeiro. Leão XIII atestou isso em sua famosa encíclica Rerum Novarum, quando igualou marxismo e liberalismo pela obsessão econômica em resolver os problemas da humanidade através do dinheiro – a diferença entre os dois é que o liberalismo de fato funciona em sua pretensão, além de não ter provocado os genocídios que a utopia comunista provocou.

Com isso, a esquerda tentou espalhar suas ideias em uma Europa industrializada e com um proletário existente em abundância. A Primeira Guerra Mundial forneceu a oportunidade perfeita para a revolução acontecer e o capitalismo ser tombado, achavam os comunistas. Porém, quando da deflagração da guerra, grata surpresa: o proletariado não só abraçou a guerra como foi lutar por ela. Foi lutar por valores como religião, pátria, Deus, família e raízes nacionais. A revolução materialista dos moldes marxistas não era nenhum pouco atraente à classe trabalhadora, que tinha em mente e em seus corações outras ideais e valores.

Dessa queda de cavalo da revolução proletária, a esquerda entendeu duas coisas: o capitalismo iria evoluir a tal ponto que a vida da classe trabalhadora seria tão confortável a ponto de qualquer aspiração revolucionária de antes ser coisa do passado; a causa do fracasso revolucionário em todos os países industrializados tinha na cultura e nos valores as suas raízes.

A civilização ocidental, com a sua moral fortemente marcada pelo Cristianismo, seria agora o principal inimigo da esquerda.
Surge a Escola de Frankfurt, think tank que é praticamente o pai fundador do esquerdismo moderno. Sua ideia era mais ou menos a seguinte: o capitalismo nada mais é do que um modelo econômico amparado em uma superestrutura, que seria os valores morais da sociedade passados de geração em geração pela autoridade da família e da religião. Para desferir um golpe mortal no capitalismo, seria necessário destruir a base civilizatória que lhe serve como sustentação. 

Aí tem início a base intelectual da New Left, a esquerda renovada e predestinada a acabar com todos os defeitos de caráter da humanidade. A luta de classes não seria mais entre proletariado versus burguesia, mas entre opressores versus oprimidos. A nova classe revolucionária seria a dos excluídos sociais: bandidos, vagabundos, prostitutas e toda sorte de gente inconformada com a sua condição social. 

Essa mudança acarreta duas coisas: o fim dos dogmas marxistas pela busca insana pelas ‘’leis da história’’ e o descarte do proletariado como classe revolucionária por excelência. Com isso, a esquerda abraçou os nonsenses relativistas e desconstrucionistas, a deixar seus projetos e modelos de mundo em constante conflito. A esquerda não é e nunca foi interessada em querer soluções definitivas, mas parciais e a longo prazo a continuação dos próprios conflitos que ela diz ter a resolução. Homofobia, racismo e machismo, por exemplo, são coisas que políticos e intelectuais esquerdistas dizem lutar para acabar com elas, mas sabem no fundo que isso seria o fim das suas próprias carreiras. É conveniente então manter o estado permanente de conflito.

Enquanto a direita não aprender essas preciosas lições da realidade, continuará a ser feita de boba. Pode obter triunfos eleitorais, mas será achincalhada pelo exército de intelectuais orgânicos da revolução gramsciana.

Siga-nos no Twitter

Publicidade

Matérias Relacionadas

Publicidade