Idéias chocantes defendidas por Marx que seu professor de esquerda não te contou

Genocídio, terrorismo, totalitarismo: as verdadeiras idéias defendidas pelo comunista alemão Karl Marx.

Um dos chavões mais utilizados por marxistas quando são confrontados com as pilhas e pilhas de cadáveres humanos sacrificados no altar do comunismo, é a de que o socialismo tal como foi implantando na URSS com Lênin e Stálin, na China com Mao Zedong, em Cuba com Fidel Castro, no Camboja com Pol Pot, na Coréia do Norte com Kim Il-sung, e na Venezuela de Hugo Chávez e Nícolas Maduro, é de que nenhuma destas experiências socialistas representa de fato o ”verdadeiro socialismo’‘, e de que tais regimes ”deturparam” os ”nobres” e ”humanitários” ideias do comunista alemão Karl Marx.

Com a queda do Muro de Berlim em 1989––que completou 30 anos recentemente––muitos intelectuais marxistas do Ocidente, mesmo reconhecendo a realidade brutal do regime soviético na Rússia, continuaram fies seguidores das palavras de Marx, negando-se a reconhecer que, praticamente tudo que ocorreu nos 70 anos de regime comunista na Rússia desde Lênin até a queda do Muro de Berlim, obedeceu fielmente os princípios comunistas de Marx, anunciados em sua mais famosa obra, o ”Manifesto do Partido Comunista”, publicado pela primeira vez em 1848 e escrito pelo alemão juntamente com seu colaborador mais próximo, Friedrich Engels.

Com essa desculpa, marxistas continuam a defender uma ideologia que só no século XX foi responsável pela criação de Estados totalitários, que deixaram vítimas nas cifras dos milhões, como afirmam estudiosos de calibre como Rudolph Joseph Rummel, Richard Pipes, Robert Conquest, Robert Service e os autores do importante estudo ”O Livro Negro do Comunismo”–– publicado pela Harvard University Press–– que em mais de 1000 páginas relata e descreve em detalhes as inúmeras atrocidades e massacres praticados por Estados marxistas-leninistas no século XX, chegando a cifra de 100 milhões de vítimas pelas mãos de regimes marxistas desde 1917. 

A Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo, situada nos EUA, uma proeminente instituição que visa detalhar e documentar os crimes praticados por regimes comunistas, concorda com a estimativa de 100 milhões de mortos. Só na URSS, a estimativa feita por historiadores fica na casa dos mais de 30 milhões de mortos, alguns até mesmo colocando um número bem maior.

O historiador americano da Guerra Fria, Lee Edwards, estima que os governos soviéticos foram responsáveis pela morte de 61,9 milhões de pessoas entre 1917 a 1987. De acordo com outro historiador russo, Alexander Yakovlev, antigo oficial soviético de alta patente que trabalhou junto a Mikhail Gorbachev, só no período de Joseph Stálin, o mais implacável e temido líder comunista do período soviético na Rússia, de 60 a 70 milhões de pessoas foram aniquiladas pelo terror stalinista. Na República Popular da China, durante o período do terror vermelho de Mao Zedong, a estimava de mortos também fica na casa dos milhões de acordo com pesquisas histórico-biográficas, como as de Jung Chang e Jon Halliday.

Apelando para a afirmação desonesta de que tais crimes hediondos nada tem haver com o pensamento de Marx, os comunistas continuam a defender as mesmas teses totalitárias e criminosas, apelando para um suposto ”socialismo ideal”, baseado na democracia, liberdade e igualitarismo, em contraposição ao ”socialismo real”, este tendo ”deturpado” os ideais comunistas. 

Essa afirmação desconsidera um fato importante: Marx nunca escondeu suas pretensões totalitárias e genocidas, que viriam a marcar os regimes comunistas ao longo do século XX, começando com a Revolução comunista na Rússia em outubro de 1917.

Como afirma o teólogo e filósofo americano Benjamin Wiker em sua obra ”10 Livros que Estragaram o Mundo”, no capítulo em que trata do Manifesto Comunista de Marx: 

Se Lênin, Stálin, Mao, Pol Pot e outros marxistas confessos foram responsabilizados por tão monstruosas mutilações da humanidade, então certamente é legítimo–e até moralmente obrigatório–perguntar o que, propriamente, nas palavras de seu mestre, os inspiraram a perpetrar esses crimes épicos.

Tal como outro socialista alemão fizera na década de 1920, ao escrever seu famoso manifesto “Minha Luta”, onde não escondia suas pretensões criminosas e genocidas, Marx em seu  Manifesto também não fazia segredo de que para que a sociedade ”sem classes”(que ele e outros revolucionários chamaram de comunismo), viesse a se concretizar no último capítulo da história, seria necessário que os comunistas adotassem medidas radicais, autoritárias e violentas para tal.

Ao longo de sua trajetória, Marx sempre fez apologias arqui-sabidas sobre ”violência revolucionária”, ”guerra de classes”, ”extermínio de classes”, ”ditadura do proletariado” e mais um punhado de frases que chocariam a esquerda mais ”moderninha”, que adora falar em ”democracia” e ”direitos humanos” e que jura que o comunista alemão era quase um monge humanista.

Marx nunca fez segredo de que, para que os objetivos do comunismo fossem plenamente alcançados, a violência se fazia mais do que necessária e natural, de acordo com sua lógica da dialética histórica da ”luta de classes”.

Significativo nesse sentido é o último parágrafo do manifesto, onde Marx resume toda sua posição: 

“Os comunistas rejeitam suavizar suas idéias e objetivos. Declaram abertamente que os seus fins só podem ser alcançados pela violenta subversão de toda a ordem social vigente. Que as classes dominantes tremam de medo perante uma revolução comunista!.”

Abaixo seguem algumas das ideias defendidas por Marx, que certamente você não aprendeu em suas aulas de história e sociologia na sua escola e na universidade:

Abolir a propriedade privada

As passagens mais lembradas de Marx em suas obras são as que tratam á respeito da propriedade privada e do capitalismo. Marx em seu manifesto definia a sociedade comunista futura não apenas como uma sociedade ”sem classes’‘, mas também como uma sociedade onde não mais existiria a ”propriedade privada”, a raiz de todas as desigualdades sociais ao longo da história segundo afirmava ele. 

Ao final do segundo capítulo do Manifesto Comunista, afirmava ele:

O proletariado usará sua supremacia política para expropriar, de maneira gradual, todo o capital da burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado — isto é, do proletariado organizado como classe dominante. […]


”Naturalmente, isto só poderá ocorrer por meio de intervenções despóticas no direito de propriedade e nas relações de produção burguesas. Por meio de medidas, portanto, que economicamente parecerão insuficientes e insustentáveis, mas que, no decurso do movimento, levam para além de si mesmas, requerendo novas agressões à velha ordem social.[…]”

Marx, assim como aqueles socialistas que o precederam, via a idéia de propriedade privada como algo que seria superado com a emergência da sociedade comunista, onde então toda propriedade não seria particular mas sim “coletiva”. 

Antes mesmo da publicação do Manifesto Comunista em 1848, Marx em seu manuscrito Necessidades humanas e a divisão do trabalho de 1844,  defendia a radical abolição de toda a propriedade privada, considerando que a existência de tal instituição causava a “exploração” do homem pelo homem.

Dizia ele: 

“Sob o regime de propriedade privada (…) todos procuram estabelecer sobre o outro um poder estranho, a fim de, com isso, satisfazer sua própria necessidade egoísta. O aumento na quantidade de objetos, portanto, é acompanhado por uma extensão do reino das forças estranhos a que o homem está sujeito, e cada novo produto representa um novo potencial de fraude e roubo.” 

Abolir a Família e o casamento 

No segundo capítulo, Marx defende que as instituições mais antigas do mundo; a família e o casamento, não passariam de uma ”instituição burguesa”, condenadas a desaparecer com a vindoura revolução comunista-proletária:

“Abolição da família! Até os mais radicais se assustam com este propósito infame dos comunistas”, escreveu ele.

Em seguida, ele explica que os oponentes desta ideia são incapazes de entender um fato crucial sobre a família:

“Sobre quais fundamentos se assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família tradicional é uma instituição burguesa e existe somente na burguesia”.

Para melhorar a situação, abolir a família seria relativamente fácil tão logo a propriedade da burguesia fosse abolida:

“A família burguesa será naturalmente eliminada com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital”.

Mas, para Marx, o que os críticos de tal idéia absurda chamavam de ”família”, esbravejava ele, não passava da ”família burguesa”. As bravatas do radical Marx contra a família continuam nas páginas do Manifesto:

Sobre que fundamento assenta-se a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o ganho privado. Em sua forma plenamente desenvolvida, essa família existe apenas entre os burgueses”. 

 

Mas esse estado de coisas complementa-se pela ausência quase completa da família entre os proletários(porque eles trabalham todo santo dia nas fábricas e portanto só ficam juntos por algumas horas de sono) e pela prostituição pública”. 

 

A família burguesa desaparecerá como consequência do desaparecimento de seu comportamento(a família proletária), e ambos desaparecerão com o desparecimento do capital”.

Além da família, outra instituição tradicional e milenar atacada por Marx é o matrimônio. No Manifesto Marx ataca aqueles que criticavam os comunistas por querer instituir a ideia de comunhão das mulheres.

Diz Marx:


”(…) Nada é mais ridículo do que a indignação moralista da nossa burguesia quanto á comunhão das mulheres que, eles dizem, estabelece-se oficial e abertamente pelos comunistas. Os comunistas não precisam implantar a comunhão das mulheres; isso existe praticamente desde sempre”.


”Nossos burgueses, não contentes em terem as mulheres e filhas dos proletariados á sua disposição––sem falar nas prostitutas nominais––, têm maior prazer ainda em seduzir as esposas uns dos outros”.


”O casamento burguês é na verdade um sistema de esposas em comum e, portanto, no que os comunistas podem ser repreendidos é, no máximo, por quererem introduzir uma comunhão aberta e legalizada das mulheres, ao invés de uma que é escondida hipocritamente
”.

Com o triunfo da Revolução comunista na Rússia em 1917, os comunistas de Lênin rapidamente tentaram levar a prática tais enunciados de Marx contra a família e o casamento. Leis instituíram o divórcio e a sacralidade da fidelidade conjugal foi atacada e desmoralizada.  

Em dezembro de 1917, em um claro sinal de ataques aos costumes, os bolcheviques adotaram um decreto para oficializar o casamento civil e o casamento religioso deixou de ser considerado obrigatório. A família tradicional foi logo considerada um vestígio do passado. O lar e as crianças eram vistos então como obstáculos para a edificação do “futuro radiante” do comunismo. Para liberar as mulheres, foram abertas creches e lavanderias em todo o país.

As teses de ataque a família tradicional e o casamento foram entusiasticamente adotadas pelas russas Alexandra Kolontái e Nadejda Krupskaïa, chegando a primeira até mesmo a adotar fielmente a ideia radical de Marx de abolir por completo a família e se tornou famosa por sua defesa da liberação sexual radical.

Medidas despóticas

Manifesto Comunista de Marx tornou-se famoso por resumir toda a teoria do comunismo na abolição da propriedade privada, que levaria a uma sociedade mais ”igualitária” e sem ”exploração”. Mas poucos sabem das medidas que Marx acreditavam serem necessárias para que se alcançasse o comunismo. Ele resumiu bem tais medidas em 10 pontos, que passam desde o completo monopólio do Estado sobre a imprensa e até mesmo o ”trabalho compulsório”, ou seja nada mais que o trabalho escravo. 

Dizia ele ainda no final do segundo capítulo do Manifesto Comunista:

”Estas medidas serão, obviamente, naturalmente distintas para os diferentes países”.

Não obstante, nos países mais avançados, Marx defendia que estas medidas poderiam ser aplicadas de um modo generalizado:

1. Expropriação da propriedade sobre a terra e aplicação de toda a renda obtida com a terra nas despesas do Estado.
2. Imposto de renda fortemente progressivo.
3. Abolição de todos os direitos de herança.
4. Confisco da propriedade de todos os emigrantes e rebeldes.
5. Centralização do crédito nas mãos do Estado, por meio de um banco nacional com capital do Estado usufruindo monopólio exclusivo.
6. Centralização, nas mãos do Estado, de todos os meios de comunicação e transporte.
7. Ampliação das fábricas e dos instrumentos de produção pertencentes ao Estado; arroteamento das terras incultas e melhoramento das terras cultivadas, tudo de acordo com um plano geral.
8. Trabalho obrigatório para todos. Criação de exércitos industriais, em especial para a agricultura.
9. Unificação do trabalho agrícola e industrial. Abolição gradual de toda e qualquer distinção entre cidade e campo por meio de uma distribuição equilibrada da população ao longo do território do país.
10. Educação gratuita para todas as crianças nas escolas públicas. Eliminação do trabalho infantil nas fábricas em sua forma atual.
Unificação da educação com a produção industrial etc.

Marx reconhecia que seu programa comunista requeria o uso do despotismo revolucionário, aquilo que ele chamou de “ditadura do proletariado”. Disse ele sobre os 10 pontos de seu programa acima referido: 

“É claro que, no começo, isso não pode ser executado senão por meio de incursões despóticas”.

É bem sabido que, ao chegar ao poder, os comunistas na Rússia, China, Cuba, Camboja e Coréia do Norte aplicaram fielmente tais medidas, extinguindo totalmente a liberdade de imprensa, passando toda a informação a ser controlada pelo Estado totalitário comunista, e também passaram a construir centenas de campos de concentração onde milhões de pessoas foram submetidas a condições de trabalho escravo, para serem ”reeducadas ideologicamente”

Na Rússia soviética, tais campos foram denunciados pelo dissidente russo e romancista Alexander Soljenítsin, em sua imortal obra ”Arquipélago Gulag”. O Gulag era um imenso sistema de campos de trabalho forçado para onde dissidentes, ”inimigos de classe”, ”espiões”, ”capitalistas”, ”agentes do imperialismo” eram enviados para uma morte certa. Estima-se que na Rússia, durante todo o período comunista, 2 milhões de pessoas passaram por tais campos de concentração.

Abolir a individualidade

Marx acreditava, corretamente, que o indivíduo e a individualidade eram uma força de resistência ao igualitarismo radical da sociedade comunista vindoura. Para os estudiosos do comunismo e da vida de Marx, e bem sabido que o comunista alemão e seus discípulos como Vladimir Lênin, preconizavam a supressão da individualidade do individualismo em nome de um coletivismo estatal. 

Ele afirma no segundo capítulo, que o “indivíduo” — que para ela era “o burguês, o cidadão de classe média detentor de propriedades” — terá de ser “retirado do caminho, suprimido, e ter sua existência impossibilitada”.

Segundo Marx, a individualidade é uma construção social da sociedade capitalista e está profundamente arraigada na própria noção de capital:

Na sociedade burguesa, o capital é independente e possui individualidade, ao passo que a pessoa é dependente e não possui individualidade.”

“E a abolição deste estado de coisas é rotulada pela burguesia de abolição da individualidade e da liberdade! E com razão. A abolição da individualidade burguesa, da independência burguesa e da liberdade burguesa sem dúvida são os nossos objetivos.”

Prosseguia ele com o mesmo raciocínio em sua outra obra, ”A Questão Judaica”

”Nenhum dos pretensos direitos do homem vai além do interesse do homem egoísta, do homem como membro da sociedade burguesa, ou seja, um indivíduo isolado da comunidade, preocupado unicamente com seus interesses pessoais e obedecendo apenas á sua vontade popular.”

Na Rússia Comunista de Lênin, a ideia de abolir a individualidade foi levada as últimas consequências. Com a criação do Estado Soviético, fundamentado nas teses de Marx e Lênin, a ideia de individualidade e liberdades individuais foi rapidamente suprimida e considerada ”burguesa”. 

Os comunistas russos, em seu mais alto devaneio revolucionário, chegaram até mesmo a considerar a hipótese de, para eliminar os últimos resquícios do ”individualismo burguês”, abolir até mesmo a ideia de nomes próprios, já que a ideia de nome próprio remitia a propriedade, logo, individualidade. O programa previa substituir os nomes comuns das pessoas por números.

Mesmo que a ideia não tenha sido levada adiante, a verdade é que ela nem fora necessária para os comunistas russos, já que nos 70 anos em que estiveram no poder na URSS, criaram um brutal Estado Totalitário, que em seus 70 anos de existência manteve seus cidadãos em um estado de escravidão ideológica e vigiados por um Estado policial repressivo, que tratou de acabar com todas as liberdades individuais das populações sob seu domínio.

Abolir as verdades eternas

Marx aparentava não acreditar que existisse qualquer outra verdade além de sua tão propagada ”luta de classes”, que dentro da sociedade capitalista dava-se entre ”burgueses” e ”proletários”. Tudo aquilo que as pessoas comuns consideravam ser verdades eternas(tradições, costumes, moral, religião, cultura, etc) eram, segundo Marx, apenas ”imposições’‘ da burguesia.

Para Marx, a luta de classes era a única verdade inquestionável. E era ela o que determinava todas as outras “verdades”:

Quando o mundo antigo estava em declínio, as religiões antigas foram sobrepujadas pelo cristianismo. Quando as ideias cristãs sucumbiram, no século XVIII, às ideias racionalistas, a sociedade feudal travou sua luta de morte com a burguesia, que então era revolucionária.”

Ele reconheceu que esta ideia soaria radical demais para seus leitores, principalmente quando se considera que o comunismo não buscava modificar a verdade, mas sim suprimi-la. Porém, argumentou Marx, essas pessoas simplesmente não estavam tendo a visão global das coisas:

”Dirão os céticos: “As ideias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., sofreram várias modificações no decorrer da história. Entretanto, a religião, a moralidade, a filosofia, a ciência política, e o direito sempre sobreviveram a estas mudanças. Além disso, existem verdades eternas, como Liberdade, Justiça etc., que são comuns a todas as camadas sociais. Já o comunismo que abolir as verdades eternas, abolir todas as religiões e toda a moralidade, em vez de apenas tentar configurá-las de novo. Consequentemente, o comunismo age em contradição a toda a experiência histórica passada.”

Ora, mas a que se reduz esta acusação? Ela simplesmente afirma e confessa que toda a história da sociedade se baseou na evolução dos antagonismos de classes, antagonismos que assumiram diferentes formas em diferentes épocas.

Porém, qualquer que fosse a forma assumida, um fato é comum a todas as épocas: a exploração de uma parte da sociedade pela outra. Não é de se admirar, portanto, que a consciência social das épocas passadas, a despeito de toda a multiplicidade e variedade de acontecimentos, se manifeste sempre dentro de padrões similares e de acordo com idéias gerais. E isso só irá desaparecer por completo com o desaparecimento total dos antagonismos de classe.”

Abolir a ideia de Nação e nacionalidade 

“Os comunistas são repreendidos por seu desejo de abolir países e nacionalidades” disse Marx.  Os críticos de tal ideia, segundo Marx, são incapazes de entender a natureza do proletariado. Disse ele:

”Os operários não têm pátria. Logo, não é possível tirar deles aquilo que eles não têm. Ademais, dado que o proletariado tem primeiro de conquistar a dominação política, de ascender à classe dominante da nação, e finalmente se tornar ele próprio a representação da nação, então podemos dizer que, até o momento, ele ainda é nacional, mas não no sentido burguês da palavra.”

Adicionalmente o próprio Marx admitiu que, por causa do capitalismo, as hostilidades entre as pessoas de diferentes culturas e criações estavam diminuindo. Assim, quando o proletariado chegasse ao poder, não mais haveria necessidade de existir nações:

”As diferenças nacionais e o antagonismo entre as pessoas de diferentes culturas estão, diariamente, desaparecendo cada vez mais por causa do desenvolvimento da burguesia, da liberdade de comércio, do mercado mundial, e da uniformidade do modo de produção industrial, que gera condições uniformes de vida entre as pessoas.

A supremacia do proletariado fará com que tudo isso desapareça ainda mais rápido.”

Abolir as tradições

Marx via a tradição e os costumes populares como uma ferramenta de ”dominação da burguesia’‘. Aderência aos costumes e respeito ao passado serviam meramente para distrair o proletariado, atrasando sua busca por emancipação e supremacia. Os tradicionalistas e “reacionários” apegados ao passado e aos costumes agiam assim unicamente para manter os instintos revolucionários do proletariado sob controle.

“Na sociedade burguesa”, escreveu Marx, “o passado domina o presente; na sociedade comunista, o presente domina o passado”.

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Inversão da moral 

Uma das características que assemelham as ideologias totalitárias(comunismo e nazismo), como observou o historiadore sociólogo francês Alain Besançon, é que ambas proclamam o dever ”moral” de seus adeptos de não serem barrados ou freados por códigos e normas da ética e moral tradicional, estando eles previamente absolvidos de quaisquer crimes que venham a cometer, desde que os cometam em favor da causa(o socialismo nacional no caso dos nazistas, ou a revolução proletária internacional no caso dos comunistas).

Para Marx e os comunistas depois dele, qualquer ato que fosse praticado em nome do avanço do comunismo, mesmo que errado e condenável pelos códios morais tradicionais–como por exemplo matar, roubar, mentir– é totalmente legítimo e louvável, já que faz ”avançar” a roda da história em direção ao ”paraíso” comunista, que emergiria, segundo Marx, após a síntese dialética da luta entre ”proletários” e ”burgueses”, que terminaria com a vitória dos primeiros sobre os últimos.

Marx desprezava qualquer padrão objetivo de comportamento ético ou moral. Em sua obra ”A ideologia alemã”, Marx zombou de toda a idéia de moralidade objetiva, como um obstáculo “não científico” ao avanço do socialismo revolucionário. Em vez disso, ele elevou o socialismo como o único “bem básico” que, consequentemente, teria “de eliminar as condições de moralidade e as circunstâncias da justiça”.

Isso equivale, na prática, a um ataque à ética não-relativista que minava o senso de responsabilidade pessoal e de dever em relação a um código moral estabelecido e objetivo, que estava no centro da civilização européia a séculos. Sendo assim, Marx e os marxistas subsequentes destacaram a moralidade como ideológica e relativa aos interesses de classe e modos particulares de produção.

Expressando tal ponto de vista, que anunciava os futuros métodos de eliminação em massa adotados por Lênin, Stálin e Mao, disse Marx:

”O bem é o mal, em um certo sentido. É o que deve ser eliminado. É o que se opõe ao progresso das relações inter-humanas. O ‘mal’ é o bem, pois ele produz o movimento que faz a história, dando continuidade á luta.”

Esclarecendo, essa passagem significa que o respeito aos direitos universais e fundamentais do homem, tais como liberdade e propriedade, são ”maus” já que detém a marcha da ”revolução” do proletariado em direção a sua ”libertação”

Em outras linhas, Marx era ainda mais explícito em sua advocação do genocídio e da violência para que o comunismo fosse alcançado. Sustentava ele em seu outro escrito, ”A Luta de Classes na França” escrito entre 1848-1850, que:

‘A geração atual se assemelha aos judeus a quem Moisés liderou pelo deserto. Não só devem conquistar um mundo novo, mas também perecer, a fim de abrir espaço para as pessoas que estão aptas para um novo mundo.”

A serviço da ”moral” comunista, Marx não rejeitou o uso do genocídio e do terrorismo. A despeito da história da Revolução Francesa durante o estágio do terror dos jacobinos franceses, Marx deu ao seu método um endosso não qualificado.

Havia, segundo Marx em seu escrito”Historisch-Kritische Gesamtausgabe” :

Apenas um meio de reduzir, simplificar e localizar a agonia sangrenta da velha sociedade e as dores de parto sangrentas da nova, apenas um meio – o terror revolucionário”

Assim, ele alertou o governo prussiano, em 1849: 

”Somos cruéis e não pedimos nada a você”. Quando chegar a nossa vez, não vamos disfarçar o terrorismo”.

Quando Marx ouviu falar sobre a tentativa mal sucedida de um anarquista radical de assassinar o imperador alemão Wilhelm I, em 1878, um colega comunista registrou sua explosão de raiva e indignação, ”amontoando maldições contra esse terrorista que falhou em realizar seu ato de terror”.

Na Rússia, China, Cuba, Leste Europeu, Coreia do Norte, Camboja, Vietnã, os marxistas revolucionários estavam, portanto, totalmente ”legitimados”–de acordo com a mentalidade psicopática de Marx–para sacrificar milhões de vidas humanas pelo ideal marxista de um “novo homem”, como de fato o fizeram nos países em que dominaram. 

Abolir a religião

Outra instituição violentamente atacada pelo ódio revolucionário de Marx é a Religião e a crença em Deus, consideradas por ele como fontes de ”alienação do homem”. Sua frase célebre––na realidade não de sua autoria mas sim do poeta alemão Heinrich Heine––de que a ”Religião é o ópio do povo” reflete muito bem sua mentalidade ateísta radical. 

Como materialista e influenciado pela filosofia anti-religiosa do alemão Frederich Fuerbach, Marx rejeitou a ideia da existência de Deus e de uma realidade transcendente. Marx afirmava que a fé religiosa não passava de um instrumento da ”classe dominante” para justificar a ”exploração” do proletariado. A religião então, não passava de uma ”droga” que proporciona uma fuga emocional do mundo real. 

Marx expressa tal ponto de vista em seu escrito Contribuição para a crítica da filosofia do direito de Hegel de 1843, afirmando que: 

”O sofrimento religioso é, ao mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições sem alma. É [religião] o ópio do povo.”

Marx convocava então as pessoas a se ”despirem” da ”ilusão” e ”alienação” representada pela religião, e chegou a afirmar até mesmo que a crítica e por fim a abolição de toda a religiosidade eram condições necessárias para a ”libertação” humana.

Prossegue vociferando Marx contra a religão em seu escrito ”Uma contribuição á crítica da filosofia do direito de Hegel”:

A abolição da religião, como a felicidade ilusória do povo, é a demanda por sua verdadeira felicidade. Convocá-los a desistir de suas ilusões sobre sua condição é convidá-los a abandonar uma condição que requer ilusões. A crítica da religião é, portanto, no embrião, a crítica daquele vale de lágrimas do qual a religião é a auréola.

Em todos os países em que os comunistas detiveram o poder, passaram a aplicar os princípios ateístas militantes de Marx contra a religião, declarando o ateísmo a confissão oficial do Estado comunista e buscando abolir pela violência e opressão estatal qualquer manifestação de religiosidade popular.

Para estabelecer um estado socialista na Rússia, Lênin e os comunistas russos advogaram a disseminação do ateísmo militante radical e ataques e hostilidades a Igreja Ortodoxa russa como uma “necessidade urgente” para o avanço da causa comunista-proletária no país. 

Rapidamente, os comunistas russos passaram a praticar verdadeiros atos de barbárie e políticas de perseguição contra comunidades religiosas na Rússia, perseguindo, torturando e matando padres e freiras, confiscando bens da Igreja Ortodoxa Russa, abolindo festividades e tradições religiosas populares e promovendo abertamente hostilidades contra qualquer grupo que expressa-se crenças religiosas.

Foram criadas espécies de milícias anti-clericais como a Liga dos Ateus Militantes, que promoviam ações de propaganda contra religiões e até mesmo atos violentos contra grupos religiosos. 

Em 1931, Joseph Stálin, prosseguindo as mesmas políticas anti-clericais de Marx e Lênin, ordenou a demolição da Catedral de Cristo Salvador em Moscou, um dos monumentos históricos mais importantes para os cristãos ortodoxos da Rússia.

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