Em audiência no Senado, Caiado defende fim de monopólio no setor elétrico

O governador frisou várias vezes que não tem problemas de cunho pessoal com a Enel, mas voltou a criticar a qualidade dos serviços da empresa.

O governador Ronaldo Caiado participou de audiência pública na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado Federal nesta quarta-feira (4) e defendeu a abertura de mercado no setor elétrico. Segundo Caiado, seria importante para o consumidor ter mais opções de fornecedoras de energia para não ficar refém de uma distribuidora que presta serviços ruins. Ele citou concessões na Europa para defender o ponto de vista.

“O modelo europeu é totalmente diferente. A pessoa escolhe sua distribuidora da mesma maneira que escolho se será a TIM, Claro ou Vivo para operadora de telefone. Não existe monopólio engessado como temos. São modelos que precisamos de avançar para que a sociedade tenha o benefício da oferta e a condição da opção de ter a melhor distribuidora. É o caminho que acredito”, argumentou.

O governador frisou várias vezes que não tem problemas de cunho pessoal com a Enel, mas voltou a criticar a qualidade dos serviços da empresa. Segundo ele, os números apresentados pela distribuidora, que mostram melhorias, supervalorizam-se por Goiânia e outras cidades de grande porte do Centro do estado, que não têm tantos problemas. No entanto, municípios mais longínquos ainda sofrem com apagões frequentes e duradouros. Caiado ainda acusou a Enel de não ter equipe suficientes para atender a demanda de regiões menos populosas.

A maior preocupação relatada pelo governador foi com o crescimento econômico. Conforme Caiado, a fragilidade dos serviços da Enel tem reprimido a demanda de empresas e impedido novos geradores de empregos de se instalarem no estado.

“Goiás depende apenas de energia elétrica para se desenvolver. Não temos outras fontes. Como é que você pode gerar empregos se toda empresa, ao chegar, tem uma perspectiva de só em 2022, 2023 ter acesso à energia elétrica. Isso provoca um garroteamento na perspectiva de avanço do estado”, disse.

Mais críticas

O senador Luiz do Carmo (MDB-GO), que presidiu a audiência, contestou a operação de venda à Enel dizendo que “a despeito dos alertas que se viam à época de que o negócio seria danoso tanto aos cofres públicos quanto aos próprios consumidores de energia elétrica, a transação terminou por ser concluída sob a alegada transferência ao estado de R$ 1,1 bilhão”.

A reclamação do senador é a de que, apesar da promessa de que a empresa investiria até 2020 outros R$ 3 bilhões em tecnologia para melhorar a qualidade do serviço, isso não teria sido feito. Além de blecautes, segundo Luiz do Carmo, a tarifa de energia teve aumento de 27%, o que também não estaria previsto no acordo. “Goiás vive o caos no serviço de energia elétrica”, definiu.

Enel rebate

Guilherme Lencastre, diretor de Infraestrutura e Redes da Enel Brasil, sustentou que o compromisso da empresa pressupõe um tempo maior de execução e que as melhorias, apesar de não terem atingido o nível ideal, já mostram um significativo impacto na prestação do serviço.

“Os compromissos assumidos estão sendo cumpridos, e os investimentos estão sendo feitos. Só em 2020 será investido R$ 1 bilhão, isso é cinco vezes mais do que o registrado antes da privatização”, contestou.

De acordo com ele, 2,7 mil quilômetros de novas redes de média tensão foram construídos de 2017 a 2019. A previsão é de novos 5 mil quilômetros até o fim deste ano. Também estão previstas mais 5 mil novas conexões rurais até dezembro. Lencastre também informou que houve queda de 46% nos blecautes desde 2016. 

O diretor estava na audiência acompanhado por José Rincon, presidente da Enel. Rincon contou que, nos temporais registados nesta semana, foi possível restaurar a energia após dois minutos de interrupção no fornecimento para a metade dos consumidores afetados. Para o restante, a demora foi de cerca de 45 minutos.

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