Conheça José Antônio Kast, o “Bolsonaro” chileno

O político e advogado chileno de direita José Antônio Kast vem ganhando as graças do eleitorado conservador chileno.

Classificado pela imprensa e pela esquerda como ”polêmico”, ”politicamento incorreto”, ”extremista”, ”ultra-conservador”, ”defensor da ditadura”. Não, não estamos falando do presidente Jair Bolsonaro, mas de seu aliado chileno, José Antônio Kast, o político e advogado  que está se popularizando entre o eleitorado conservador do Chile.

Político, advogado, abertamente de direita, contrário ao aborto, favorável ao porte de armas e defensor de medidas mais duras ao combate ao crime, Kast tem se popularizado como o representante da parcela do eleitorado chileno que mais se identifica com posições conservadoras, em um país que tradicionalmente tem sido governado por coalizações de esquerda desde o fim do regime militar de Augusto Pinochet.

José Antonio Kast nasceu em 1966, em Santiago, Chile. Formou-se em Direito pela Universidade Católica do Chile e iniciou sua carreira profissional como advogado; em 1989, co-fundou o escritório de advocacia Kast, Pinochet, De La Cuadra & Cia e foi nomeado professor de Direito Civil e Comercial da Universidade Católica. Ingressou no partido União Democrática Independente (UDI) durante seus anos na universidade e atuou como vereador da cidade de 1996 a 2000, além de representar várias alas da cidade nos quatorze anos seguintes. 

Kast serviu como Secretário Geral do partido UDI por dois anos. Mais tarde, ele renunciou ao partido da UDI para se candidatar à presidência como candidato independente. Recentemente em 2019, Kast fundou o Partido Republicano, sigla que se compromete na defesa das bandeiras conservadoras.

Kast se descreve abertamente como uma ”pessoa de direita com muita consciência social, que quer fazer as coisas da maneira certa”. Ele é um critico ferrenho da esquerda, e das ditaduras na Venezuela e Cuba. Ele exortou a ex-presidente Michelle Bachelet a adotar uma postura mais rígida em relação ao regime de Nicolas Maduro e afirmou que “romperia nossas relações com a Venezuela, e a comunidade internacional deveria pedir a Maduro que deixasse seu cargo.”

Em 2017, Kast decidiu colocar seu nome na corrida presidencial do Chile, disputando o voto do eleitorado de direita com o atual presidente Sebástin Piñera, que saiu vitorioso nas últimas eleições chilenas. Embora disputem o mesmo eleitorado, diferente de Piñera, que muitas vezes apela também para um eleitorado de centro-esquerda, tendo elogiado figuras como o ex-presidente chileno de esquerda Patrício Aylwin, Kast espera mobilizar eleitores que não tiveram de um fato um candidato que defenda abertamente as bandeiras que este eleitorado defende.

O advogado e político se coloca como crítico e opositor da esquerda chilena, criticando também o apoio que parte desta dá a regimes ditatoriais como o da Venezuela chavista e da Cuba castrista. 

Em alguns discursos ele afirmou que ”Não haverá representação diplomática na Venezuela e em Cuba até que a democracia seja restaurada e os direitos humanos básicos de todos os seus habitantes sejam garantidos. O Chile tem a obrigação de desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da América Latina e não pode permanecer um mero observador do abuso de direitos humanos no continente.”

Falando sobre a disputa territorial de longa data com a vizinha Bolívia, Kast afirmou que seu primeiro passo seria retirar o Chile do Pacto de Bogotá, dizendo que ”o Chile não tem problemas atuais com nenhum país (…), mas com o presidente eles têm [Evo Morales] é difícil chegar a acordos.

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Kast colocou seu nome á disputa da Presidência do Chile em 2017, dividindo os votos do eleitorado de direita com o atual presidente José Piñera.

O político também defende um maior monitoramento nas fronteiras entre o Chile o Peru e a Bolívia, para uma maior eficácia no combate ao contrabando e o narco-tráfico.”Barreiras físicas são necessárias no Chile-Peru (170 km) e a fronteira Chile-Bolívia (1.000 km) para apoiar nossa polícia e ajudar a combater o narcotráfico e o contrabando na fronteira. Além disso, precisamos incorporar mais tecnologia para a detecção e repressão de crimes de fronteira.”

Já sobre o aborto, Kast se coloca radicalmente contra a prática, sendo declaradamente um “pró-vida”, enquanto ele reconhece que é uma das questões mais controversas da sociedade. Falando sobre o tema, ele disse que ”uma das primeiras coisas que eu tentaria concluir é a lei do aborto (…) eu já redigi um projeto de lei que revogaria a lei do aborto.” 

Ele também acrescentou que acredita que o valor da família foi perdido. ”Temos que fortalecer a família, quero construir uma sociedade que reconheça o valor da família.” Sobre a questão dos direitos LGBTQ, Kast se coloca como contrário a adoção de crianças por parte de casais homossexuais.”Não tenho problemas com dois homossexuais vivendo juntos, mas ter o direito de casar é diferente (…) também me oponho à possibilidade de adoção por casais gays, sempre fui muito claro sobre isso.” 

Já com relação a imigração, Kast se coloca como a favor do controle da imigração, comentando que ”as pessoas que virão devem saber que, a partir de hoje, o Chile não está pronto para receber todas as pessoas”. Em outra ocasião, ele afirmou que ”exigiremos o cumprimento das legislação vigente e fortalecer os controles e ferramentas que o Estado tem para efetivamente fazer cumprir a lei. Acreditamos que a imigração de pessoas com qualificações e estudos pode contribuir para o desenvolvimento do Chile e precisamos atualizar nossos regulamentos para promovê-lo. Mas também devemos ser rigorosos no controle de nossas fronteiras e na rejeição da imigração ilegal em todos os casos.”  

Como forma de combater os roubos e crimes, Kast se mostrou a favor de que civis tenha direito de portar armas de fogo para se defender.“Os bandidos que não se metam comigo nem com minha família. Se entrarem em minha casa, atiro.”

Kast fala também em aprofundar a Aliança do Pacífico, desejando ”estabelecer como política externa prioritária o desenvolvimento da Aliança do Pacífico do Canadá ao Estreito de Magalhães e procurar incorporar países como Estados Unidos, Canadá, Costa Rica e outras nações da América Central em esforços comuns de integração, em detrimento de iniciativas como Celac ou Mercosul.” 

Ele é a favor do aumento dos gastos militares, comentando que ”as forças armadas, em casos justificados e como uma medida estritamente excepcional, poderão colaborar em questões de segurança pública quando forem necessárias para combater o terrorismo e o narcotráfico. Melhorias, inovação e novos poderes e atribuições exigem um orçamento maior. Para esse fim, os limites de uso do Fundo criados pela Lei da Reserva de Cobre serão revistos para que esses recursos possam ser utilizados para aumentar o orçamento militar disponível, sem que isso seja prejudicial para outras áreas igualmente importantes.” 

Veja também:

.A cruzada de Augusto Pinochet e do povo chileno contra o comunismo

.5 razões pelas quais o Chile capitalista é melhor que a Venezuela socialista

.O risco da América Latina

Kast é aclamado e apoiado por um grande número de militares reformados, comprometendo-se, caso eleito presidente, a indultar militares que teriam sido injustamente presos após o fim do governo militar do general Augusto Pinochet. 

Sobre o falecido general, que governou o Chile de 1973 a 1990, Kast parece não ter medo ou receio de elogiar os feitos do governo Pinochet no país. Em 1973, com o governo do socialista Salvador Allende sendo considerado ilegitimo pelo Congresso e pela Justiça chilena, as forças armadas são convocadas para derrubar o presidente, que havia colocado o país em um caos social profundo em seus 3 anos de governo graças a seu comprometimento com uma agenda socialista radical apoiada por Cuba e pela União Soviética.

Com a derrubada de Allende em 11 de setembro de 1973, entra em cena o general Augusto Pinochet, que nos anos seguintes conseguiu estabilizar o país, combatendo grupos terroristas de extrema-esquerda e aplicando medidas de liberalização da economia, medidas essas que são apontadas por muitos analistas como as responsáveis por tornar o Chile um dos países mais desenvolvidos na região.

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O advogado e político chileno declara-se abertamente conservador, nacionalista e também um defensor do legado do general Augusto Pinochet.

Kast não tem medo ou receio de parecer ”politicamente incorreto” por de defender o legado do general, afirmando defender ”com orgulho’‘ a obra de Pinochet, chegando a brincar que, se estivesse vivo, o general ”votaria em mim.”

O governo Pinochet foi defenestrado pela esquerda após a redemocratização do país na década de 90, embora o governo de Allende já aplicasse medidas ditatoriais e autoritárias em seus 3 anos de governo. Kast afirmou que ”Deixando de lado toda a questão dos direitos humanos, o Governo de Pinochet foi melhor que o de Sebastían Piñera [2010-2014] para o desenvolvimento do país.”  

Ele também se coloca em defesa da firmação de ”uma aliança militar com os países da América do Sul para proteger militarmente os interesses comerciais da região. Ações de terrorismo e pirataria são um risco para o comércio fluente dos países sul-americanos. Uma aliança militar será desenvolvida para coordenar ações para proteger as atividades de exportação.

O conservador chileno apoiou a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil e se encontrou com o mesmo após sua vitória em 2018. Comentando a vitória do aliado, disseKast que o ”Brasil derrotou a esquerda corrupta e elegeu a liberdade e esperança que representa Jair Bolsonarocom uma maioria. O senso comum segue triunfando na América Latina e seguiremos trabalhando para que no Chile triunfe também”.

Na ocasião em que Bolsonaro respondeu em suas redes sociais á socialista chilena Michelle Bachelet, que ocupa o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a quem ele acusou de ”se intrometer” nos “assuntos internos e soberania” daquele país, e aludiu ao pai, general Alberto Bachelet, a quem descreveu como um “comunista” que havia sido ”derrotado” pela ”equipe de Pinochet”. 

Após a fala do presidente Bolsonaro, a imprensa internacional o choveu com críticas. Kast saiu em defesa do presidente afirmando que ”A ex-presidente Bachelet usa sua posição desde o primeiro dia para atacar e questionar o presidente Bolsonaro. Suas críticas não se baseiam em fatos, mas em sua posição ideológica.”

Mesmo tendo terminado em 6 lugar na última eleição presidencial do Chile, Kast pode representar um forte candidato em 2021, ano da próxima eleição presidencial no país. Como a constituição chilena não permite reeleição para o cargo de presidente, Sebástian Piñera não poderá disputar para tentar um segundo mandato, o que poderia fazer com que o eleitorado de direita e centro-direita apostasse no nome de Kast em 2022.

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