Gabriel Osorio

Colunista
Acadêmico de Ciência Politica, consultor e analista politico, leitor assíduo de filosofia, e nas horas vagas, um critico de tudo. Colabora com o jornal Painel DN escrevendo em sua coluna ”Epopeia Politica”, com foco em analises sobre a conjuntura nacional e internacional, com uma pitada filosófica.

Brexit, Dominic Cummings, e o misticismo politico

Desde 2016, o termo ”brexit” esteve na boca de analistas políticos ao redor do globo. A discussão britânica sobre a possível saída da União Européia, e também sua permanência, ocupou a mídia local e internacional nos últimos anos.

Após a ascensão de Boris Johnson como primeiro-ministro, um curioso rosto, sempre atrelado ao chefe de estado, começou a repercutir nos bastidores da política londrina, e também na imprensa local. Seu nome é Dominic Cummings. Conhecido como o gênio por trás da campanha do Brexit, ele foi o homem que convenceu a maioria dos britânicos a
abandonarem a União Europeia.

Em 1994, o conselheiro e articulador político de Boris Johnson, se formou em História Antiga e Contemporânea em Oxford com certa notabilidade. Logo se mudou para a Rússia, onde esteve envolvido com diversos projetos, como a criação de uma companhia aérea que tentaria conectar Samara, no sul da Rússia, a Viena.

A partir de sua volta ao Reino Unido em 1999, Cummings foi diretor de campanha e estrategista de diversos políticos e grupos, estes atrelados a um certo conservadorismo político, e mesmo não sendo um membro do Partido Tory, levava consigo o objetivo de
modernizar o grupo conservador.

Mas foi em 2015, como diretor de campanha da Business for Sterling, que Cummings alçou sua caminhada contra a permanência do Reino Unido na União Europeia. A campanha
levava slogan “Take back control”, de sua autoria, e suas estratégias da campanha foram enraizadas nos temas da ”imigração”, ”empresariado”, e sempre sendo contra um referendo
final.

O referendo de junho de 2016 resultou em um voto de 51,9% para “deixar” a União Europeia. Desde então, Cummings se tornou um importante influenciador na política britânica (mais
do que já era). Porém, em 24 de julho de 2019, ao ser nomeado consultor sênior do primeiro-ministro, aumentou-se cada vez mais as críticas a seu respeito.

O articulador tem sido comparado por políticos, estrategistas, e jornalistas, como Stephen Castle da The New York Times, a personagens históricos e fictícios, tais como Darth Vader, o vilão de Star Wars, Beria, o cabeça da antiga polícia soviética, e também a Rasputin, o anfigúrico e polémico conselheiro do último czar da Rússia, e sendo que, este último mostra ter muito haver com Cummings.

Durante o declínio da antiga monarquia russa, houve um misterioso e até místico homem, que acabou sendo um forte conselheiro e amigo do último czar, Nicolau II. Seu nome era
Grigori Rasputin. Com vários boatos de envolvimento com magia negra, e até de ”milagres”, o russo acumulou certa fama, até sua existência chegar aos ouvidos do Czar. O filho do monarca sofria de hemofilia, uma rara doença, que somente pelas mãos do indecifrável curandeiro foi tratada.

Rasputin, a partir de então, não somente conseguiu a confiança do Czar, como também foi nomeado como conselheiro, e teve, até, o poder de nomear ministros. Cheio de controvérsias e críticas acerca de suas decisões, ele ficou marcado como um homem cheio de inimigos, chegando a quase ser morto em diversas ocasiões devido a suas intrigas com nobres e poderosos, e até mesmo membros da família real.

Seguindo a história, podemos observar um certo paralelo entre Dominic Cummings, e Rasputin. Os próximos meses serão de grande tensão e insegurança na política britânica, e certamente Cummings estampará muitas dessas intrigas.

O que nos resta saber, é até onde esses ”paralelos” irão acompanhar o complicado e cheio de inimigos Dominic Cummings em sua alçada pelo Brexit.

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