BNDES pode fazer auditoria de contratos da Odebrecht

Auditorias no BNDES tem apurado supostos casos de irregularidades em contratos com empresas.

O BNDES pode iniciar uma leva de auditorias em contratos que a instituição considere suspeitos ou irregulares, em operações realizadas em gestões anteriores. O plano original era apurar eventuais irregularidades nas transações do banco com a Odebrecht logo após a conclusão das análises nas operações com o grupo J&F. Qualquer nova apuração, no entanto, dependerá da avaliação de ”custo-benefício”, disse o diretor de compliance do BNDES, Claudenir Pereira. As informações são do Estadão.

A sinalização do banco ocorre depois de a instituição ter de dar explicações sobre o gasto de R$ 48 milhões com uma auditoria externa para analisar oito operações com empresas do grupo J&F. O custo foi divulgado pelo próprio BNDES ao prestar as informações via Lei de Acesso à Informação.

Os resultados da auditoria foram apresentados no mês de dezembro. O resumo do relatório da investigação tem oito páginas. O BNDES declarou que os R$ 48 milhões foram pagos em contrapartida aos serviços prestados pela equipe de investigação.

Nessa quarta-feira(29.01) o banco disse ter revisto as taxas de câmbio usadas nos pagamentos em dólar a escritórios internacionais, reduzindo o custo para R$ 42,7 milhões. O BNDES contratou a auditoria entre 2017 e 2018, durante o governo do ex-presidente Michel Temer(MDB).

A mudança no valor ocorre um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro dizer que achava ”esquisito” o gasto de 48 milhões com a auditoria. Ao retornar da Índia, Bolsonaro foi perguntado se questionará o custo da auditoria. O presidente discordou dos valores e afirmou:

”Essa auditoria começou no governo Temer. E tiveram dois aditivos. O último aditivo parece, não tenho certeza, seria na ordem de R$ 2 milhões. E chegou a R$ 48 milhões no final. Tá errado. Tá errado. Tá certo? Tem coisa esquisita aí, parece que alguém quis raspar o tacho. Parece, tá certo?”.

Em entrevista convocada para prestar esclarecimentos, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse que ”não foi o caso” de alguém ter cobrado acima do preço devido e o gasto ”foi necessário”.

Segundo Montezano, a contratação da auditoria para as operações com a J&F foi feita por recomendação da KPMG, auditor independente que dá o parecer sobre as demonstrações contábeis do banco. É ela que confere uma espécie de selo de que as informações são confiáveis e fidedignas.

O custo inicial projetado em 2018 era de R$ 23,4 milhões, sendo R$ 19,6 milhões aprovados em fevereiro daquele ano para o escritório estrangeiro Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, além de mais R$ 3,766 milhões para que a própria KPMG atuasse como uma espécie de “revisor” do trabalho da banca internacional.

Em novembro de 2018, com ampliação da quantidade de dados a serem processados e o maior número de depoimentos a serem coletados, o conselho de administração e a diretoria do banco aprovaram uma primeira suplementação no contrato, no valor de R$ 5,067 milhões.

Montezano disse ainda que, em 2 de julho de 2019, foi aprovado o aumento do escopo da auditoria para abarcar informações levantadas pela Operação Bullish (da Polícia Federal e do Ministério Público Federal) e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas no Congresso sobre o tema. Com isso, o custo da auditoria aumentou em R$ 11,9 milhões.

O presidente do BNDES, porém, ressaltou que a aprovação se deu um dia antes de ele tomar posse oficialmente no cargo:

”Sem o aumento do escopo, o relatório da auditoria teria ressalva que praticamente o invalidaria”.

Montezano disse que o único aditivo aprovado em sua gestão foi um adicional de R$ 2,3 milhões no contrato com a auditoria KPMG, para que ela acompanhasse os trabalhos da investigação externa como revisora.

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