As novas rotinas com o Coronavírus

Avanço do coronavírus, que já tem oito casos no Brasil, deixa escolas de prontidão, suspende voos, leva à interrupção da produção de celulares e outros produtos eletrônicos e provoca uma corrida às farmácias para compra de máscaras

O avanço da epidemia de coronavirus vem afetando o dia a dia das pessoas por todo o mundo e também no Brasil. Tanta gente passou a buscar máscaras que as farmácias já registram falta e o Ministério da Saúde cogita a possibilidade de acionar a Justiça para apreender o produto nas fábricas para que não falte nos órgãos de saúde pública. Antes mesmo da confirmação do oitavo caso no País, que aconteceu na quinta-feira (5), o alvoroço era tão grande que muitas escolas particulares decidiram recomendar quarentena para quem esteve em países com alto índice de ocorrências da doença. Várias empresas começaram a adotar medidas de segurança e até o home office como alternativa para evitar contágio.

PRODUÇÃO INTERROMPIDA No interior de São Paulo, Samsung, LG e Motorola anunciaram a parada na fabricação de
celulares por falta de peças vindas da China

Os colégios, especialmente os de São Paulo, como o Pueri Domus, enviaram circulares aos pais para que mantenham quarentena, caso a família tenha viajado para áreas de risco, como Ásia e Europa. O pedido, no entanto, vai contra o que determina o Ministério da Saúde e até as secretarias estaduais, que tentam evitar o pânico. Nos aeroportos, tanto passageiros como funcionários já usam máscaras e as farmácias locais sentem aumento da procura também por álcool gel. A concessionária do Aeroporto de Guarulhos informou que está seguindo recomendações da Anvisa e mantém alertas tanto a passageiros como aos colaboradores.

Nas grandes companhias e multinacionais já foram intensificadas as ações de prevenção, o que inclui distribuição de informações por e-mail, WhatsApp, cartilhas com recomendações e trabalho remoto, bem como cancelamento de viagens internacionais e restrição a vôos domésticos. Até mesmo empresas aéreas cancelaran vôos para as áreas de maior risco. A Latam anunciou na segunda-feira (2) que suspenderia temporariamente seus voos de São Paulo a Milão, na Itália, onde há um grande número de casos confirmados. No interior de São Paulo, Samsung, LG e Motorola anunciaram a parada de produção de celulares por falta de peças vindas da China. Já na Zona Franca de Manaus estima-se que mais de 80 mil funcionários (17% do total de empregados) de linhas de montagem da região podem entrar em férias coletivas por falta de componentes.

Epidemia afeta a economia de vários países e já prenuncia uma recessão global. OCDE reduziu a projeção de crescimento de 2,9% para 2,4%

Efeitos na economia

Para o infectologista do Hospital Albert Einsten, Luis Fernando Aranha, não há motivo para tanto pânico. “É preciso buscar informações em fontes confiáveis. Além disso, a doença tem 2% de mortalidade e é mais letal entre idosos e pessoas com baixa imunidade. Isso é menos que o Ebola”, explica ele, acrescentando que o monitoramento adotado pelo País é importante. “Mas na China, onde há mais de um bilhão de pessoas, há 80 mil casos”, acrescenta. No Brasil, o Ministério da Saúde já contabiliza 636 casos suspeitos do novo Covid-19 e outros 378 foram descartados por exame laboratorial. Além dos sintomas respiratórios, os doentes têm histórico de viagem ou contato próximo com caso suspeito.

Mundialmente o impacto é grande, levando a adiamento de eventos culturais e esportivos em vários países. Em Seul, na Coréia do Sul, a Semana de Moda foi cancelada. Em Londres, foi adiado para novembro o lançamento do filme “OO7, Sem tempo para morrer”. Até a Disney já prevê perda de US$ 175 milhões provocada pela queda no número de visitantes aos parques. Na Itália, o Comitê Científico do governo recomendou que eventos esportivos sejam suspensos por um mês. As escolas e as universidades do país ficarão fechadas até o dia 15.

Além das pessoas, a epidemia também afeta a saúde econômica global, desenhando no ar uma nova recessão mundial, a primeira desde 2008. Em janeiro, o FMI havia estimado crescimento global de 2,9% para 2019 e de 3,3% para 2020. Já em fevereiro, a instituição baixou 0,1 ponto percentual para 2020. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também teme uma nova recessão e pediu a governos e BCs que lutem para evitar a queda da atividade. A OCDE estima que a economia global cresça 2,4% neste ano. A expectativa em novembro era de 2,9%. Se o vírus se espalhar mais pela Ásia, Europa e América do Norte o crescimento pode ficar em 1,5%. Para o Brasil, a OCDE manteve a expectativa de expansão de 1,7% em 2020 e de 1,8% para o ano que vem.

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