A pedra no sapato de Boslonaro

Fortalecimento do centrão pode criar dificuldades para aprovação de reformas.

Fortalecimento do centrão pode criar dificuldades para aprovação de reformas.

O fortalecimento de partidos da centro direita na eleição municipal de 2020 deve fortalecer a construção de uma candidatura à presidência em 2022 que dispute o eleitorado desse campo – hoje mais próximo do presidente Jair Bolsonaro.

De olho em tentar enfraquecer o presidente em seu projeto de reeleição, esses partidos, como PSDB e DEM, podem, inclusive, ser menos propensos a apoiar reformas do governo que possam render capital político daqui a dois anos. A avaliação é do sócio e analista político da Tendências Consultoria Integrada, Rafael Cortez.

“Os partidos concorrentes do bolsonarismo em 2022 vão ter mais cuidado em dar apoio às políticas do presidente .Isso vai explicitar a disputa interna dentro da centro-direita, limitando so ganhos da governabilidade”, diz Cortez. Para ele, o que mantém as reformas sobre a mesa é que uma recusa em votar esses temas gera um forte constrangimento do ponto de vista da imagem desses partidos, que é bastante associada à mesma agenda. “Sobretudo se o cenário que se concretizar for de manutenção de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) na presidência das Casas”, complementa.

Essa possível mudança de postura, diz Cortez, pode acontecer em um momento em que a popularidade do presidente revela ter bases frágeis, como mostra a variação negativa em sua aprovação após a redução do valor do benefício emergencial.

“Nesse sentido, um governo mais fraco tem menor capital político para desenho das reformas. Não acredito que isso seja positivo, especialmente porque hoje ocorre uma disputa entre paradigmas de reforma dentro do próprio Executivo. E isso tende a acentuar essa incerteza em relação a qual estratégia seguir em 2022”, diz.

Sobre como Bolsonaro sai dessas eleições, o analista nota que é difícil transpor os resultados de uma eleição municipal, muito mais marcada pelas realidades locais, para o contexto nacional. Ainda assim, ele aponta que – dada a performance dos candidatos que apoiou – o modo de fazer política com que venceu em 2018 não é mais suficiente para mobilizar o eleitor.

“Bolsonaro não tem o que comemorar. Nesse sentido, há tendência de filiação do presidente em uma legenda tradicional e isso gera um efeito muito forte para 2022”, diz.

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