Como Augusto Pinochet impediu a comunização do Chile

Em 11 de setembro de 1973, o general Augusto Pinochet Ugarte e as forças armadas chilenas punham fim ao desastroso e proto-ditatorial governo do socialista Salvador Allende, que levou o Chile ao colapso e a beira de uma guerra civil.

Talvez não exista pessoa mais difamada e detestada pelos comunistas de todo o mundo do que a figura do general chileno Augusto Pinochet Ugarte, falecido em 10 de dezembro de 2006 aos 91 anos de idade, 16 anos após o fim definitivo de seu regime militar que iniciou-se em 1973.

A imaginação popular está tão bem adestrada na deformação esquerdista do senso das proporções e na desinformação da propaganda comunista, que poucas pessoas notam o grotesco da situação quando um comunista adverte contra os perigos da ”direita autoritária” e demoniza figuras como Augusto Pinochet, ao mesmo tempo que bajulam bovinamente figuras como Fidel Castro, que criou com a ajuda dos soviéticos um dos regimes policias mais brutais que já existiu e que segue de pé até hoje. 

O falecido general e ex-presidente chileno é até hoje alvo de intensas campanhas violentas por parte da grande mídia internacional, que só de ouvir seu nome já começa a soar o alarme de ”ditadura militar”, ”violação dos direitos humanos”, ”fascismo”, etc, colocando Pinochet como o carrasco que sepultou a democracia no Chile.

Prova disso foi um episódio recente ocorrido em nosso país, mais precisamente na Assembleia Legislativa de São Paulo(Alesp). Foi proposta uma homenagem ao general chileno a pedido do deputado estadual Frederico D’Ávila (PSL).

O episódio, como se esperava, gerou fortes críticas da imprensa e da esquerda, que consideraram ”absurdo” a homenagem ao falecido general chileno, que assumiu o poder no país em 1973, permanecendo no cargo até 1990, quando deixou o cargo após um plebiscito popular que decidiu pela não-continuidade de seu regime.

O deputado federal Ivan Valente do PSOL, em sua conta do Twitter, expressou indignação com a homenagem, chamando Pinochet de ”ditador sanguinário”, ”estuprador” e ”torturador”. O irônico, é que Valente, igual a seu partido o PSOL, são notórios apoiadores do ditador socialista venezuelano Nicólas Maduro. Inclusive, revirando postagens antigas de Valente no Twitter é possível encontrar declarações de apoio ao ditador venezuelano.

O mesmo PSOL que recentemente elogiou ninguém menos que o ditador da Coreia da Norte, Kim-Jogn-Um, que hoje governa com mãos de ferro um dos Estados totalitários mais rigorosamente policiais do mundo. A homenagem foi feito pelo deputado psolista do Rio de Janeiro, Leonel Brizola(tão ruim quanto o original). Curiosamente a manchete veiculada na Folha sobre o caso não chamava de Kim de ditador, como fez com o caso de Pinochet.

A jornalista Daniela Lima, da Folha de S.Paulo disse que que Pinochet ”perseguiu milhares de mulheres”(???). A apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura, também publicou um texto da revista Época sobre Pinochet. Como era de se esperar, no texto as mais grosserias desinformações e invenções da propaganda comunista são divulgadas ali como fatos históricos inegáveis.

Assim como na transmissão do fatos sobre 31 de março de 1964 no Brasil, no caso de 11 de setembro de 1973 no Chile, os contextos foram omitidos, informações foram suprimidas, um lado da história foi apagado e comunistas e terroristas serviçais de estados totalitários foram transformados em ”pobres” vítimas do ”fascismo dos militares de direita aliados aos EUA”.

Mas vamos apresentar os fatos sobre o contexto que levou o general Pinochet a assumir o poder no Chile em 1973, não contados em nossos livros escolares de história escrito por marxistas(os únicos que a jovem jornalista da Folha parece ter lido).

A narrativa que conhecemos bem afirma que o general Augusto Pinochet teria dado um ”golpe” militar contra um presidente democrata, o socialista Salvador Allende, que assumiu o cargo em 1970 e governou até 1973. A partir daí, o país teria vivido anos de uma ”ditadura obscurantista fascista”, aliada aos interesses ”norte-americanos”. Essa é a história a qual estamos familiarizados, repetida em livros, matérias jornalísticas e programas de TV.

Vamos a verdade. Não houve nenhum ”golpe” militar no Chile em 11 de setembro de 1973, como repete como mantra a esquerda e a nossa imprensa(dominada pelos primeiros), nem fora Pinochet que sepultara a democracia chilena.

Nossa trajetória sobre a destruição da democracia chilena se inicia não com a derrubada de Salvador Allende em 11 de setembro 1973, mas com sua eleição em 1970 por uma coalização de partidos socialistas e comunistas, manifestando de um lado uma face ”democrática” e ”moderada” antes de chegar ao poder, e depois com o poder de fato em mãos começou a corroer as instituições democráticas vigentes, já que as considerava um empecilho ‘’burguês’’ para a revolução marxista que almejavam.   

Até 1970, o Chile era um caso raro na América-Latina de exemplo de normalidade democrática e respeito a legalidade constitucional. O país, ao contrário de seus vizinhos, não testemunhou grandes períodos de instabilidades políticas e golpes de Estado ao longo desde de o início de sua história republicana. A sociedade chilena era tolerante, pluralista, culta e respeitadora da lei. A vida democrática no parlamento, a democracia representativa e o respeito a Constituição era uma tradição interrupta a mais de 150 anos no país.

No entanto, esse Chile desapareceu com a chegada ao poder em 1970 de um obscuro médico e político marxista radical chamado Salvador Salvador Allende Gossens. Allende era bem conhecido por suas posições radicalmente socialistas. Assim como todos os marxistas de sua geração, além do amor pela grande pátria de Lênin e Stálin, Allende também era um admirador confesso da Cuba de Fidel Castro, sendo amigo íntimo deste. Claudio Véliz, historiador e amigo pessoal de Allende, argumenta que as viagens de Allende a Cuba tiveram “um impacto fundamental no projeto que ele pretendia aplicar no Chile. Depois de ver Cuba, Allende pensou que poderia encurtar o caminho. Mas a verdade é que ele deixou a tradição chilena … Não há dúvida de que o governo da Unidade Popular foi um desastre que nos levou à guerra civil “(El Mercurio, 28 de novembro de 1999).

Em 1967 Allende, quando ainda era Senador pelo Partido Socialista do Chile, junto a Castro e o Partido Comunista cubano, havia ajudado a fundar a Organização Latino-Americana de Solidariedade(OLAS), uma entidade castrista que tinha o intuito de dar apoio político e coordenar grupos armados marxistas-revolucionários latino-americanos, que declaravam como seu objetivo ”destruir o imperialismo americano” e promover a ”revolução” pela via armada e pela violência. Allende foi eleito em Cuba, durante a conferência de fundação da OLAS, o primeiro presidente da entidade.   

Eleito por uma coalização de partidos socialistas de extrema-esquerda, Salvador Allende assumiu o poder e passou a por em prática seu programa marxista visando destruir o capitalismo e as instituições democráticas do Chile.

O partido político de Allende era o Partido Socialista(PS) do Chile, uma sigla que se declarava abertamente como marxista-leninista e que tinha o médico e político Allende como seu mais notório militante. O partido era o segundo maior do país, que futuramente seria o principal partido da coalizão esquerdista Unidade Popular, que governou o Chile entre 1970 e 1973. Seu partido aliado e irmão ideológico, o Partido Comunista(PC) do Chile, era o maior e melhor organizado de todos os partidos comunistas da América Latina e o terceiro maior em tamanho, depois dos da França e da Itália, em todo o mundo ocidental.

As resoluções oficiais do Partido Socialista do Chile, adotados por unanimidade em seus congressos anuais de 1965 e 1967, são fundamentais para entender a origem da ruptura democrática que se seguiu no Chile nos anos do governo de Allende. Em seu Congresso de Linares, ocorrido em julho de 1965), o Partido Socialista do Chile, definido já havia argumentado em favor da violência revolucionária: “Nossa estratégia descarta a rota eleitoral como um método para alcançar nosso objetivo de tomar o poder”. … O partido tem um objetivo: para alcançá-lo, deve usar os métodos e os meios que a luta revolucionária torna necessária “.

Mas foi no Congresso de Chillán que a posição sediciosa atingiu sua expressão máxima. Isso ocorreu entre 24 e 26 de novembro de 1967 e participaram 115 delegados, e também houve “delegados fraternos” dos governos comunistas da URSS, Alemanha Oriental, Romênia e Iugoslávia, o partido socialista Baath da Síria e o partido socialista do Uruguai. 

A resolução adotada afirmava que: “a violência revolucionária é inevitável e legítima … Constitui o único caminho que leva à tomada do poder político e econômico, e sua subsequente defesa e fortalecimento. Somente destruindo o aparato democrático-militar do Estado burguês pode ser consolidada”. a revolução socialista … As formas pacíficas ou legais de luta não levam ao poder. O Partido Socialista as considera como instrumentos limitados de ação incorporados ao processo político que nos leva à luta armada, prolonga e consta da política da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), que reflete a nova dimensão continental e armada que o processo revolucionário latino-americano adquiriu “(v. Julio César Jobet, La Historia del Partido Socialista de Chile, 1997).

O ideólogo do Partido Socialista e o futuro ministro das Relações Exteriores do presidente Allende, o socialista Clodomiro Almeyda, afirmou que no meio do processo socialista no Chile, uma guerra civil era certa: “A maneira fundamental de um país como o Chile assumir a fase mais alta da luta política, quando o processo atual coloca o problema de poder na agenda, é imprevisível em termos absolutos. Estou inclinado a acreditar que é mais provável que assuma a forma de uma guerra civil revolucionária, à maneira espanhola, com intervenção estrangeira, mas de um curso mais rápido e mais preciso “(Punto Final Magazine, 22 de novembro de 1967).

No entanto, mesmo adepta da linha marxista-leninista de revolução violenta e animada pela êxito da revolução armada da guerrilha em Cuba em 1959, a extrema-esquerda chilena, representada pelo Partido Socialista e pelo Partido Comunista, em 1969, optou pela estratégia tática de tentar tomar o poder não pela via armada revolucionária, mas através de eleições, deixando a violência armada para uma fase posterior de tomada de poder, mas não a abandonando jamais. 

Em 4 de setembro de 1970 ocorreriam as eleições que dividiram para sempre a história do Chile dali em diante. A coalização de partidos da esquerda-marxista formada pelo Partido Socialista e pelo Partido Comunista do Chile em 1969, que deu origem a chamada Unidade Popular, oficializaria a candidatura de Salvador Allende, que disputaria a presidência contra o candidato do Partido Nacional, Jorge Alessandri Rodríguez(direita), e o candidato do Partido Democrata Cristão, Radomiro Tomic(centro-esquerda).     

Com o resultado das urnas apurados, ficou constatado que nenhum dos candidatos obteve a maioria absoluta dos votos para eleger-se presidente. Allende obteve 36,% dos votos, contra 35% de Alessandri Rodríguez e 28% de Radomiro Tomic. Como o resultado do 1 turno não dera a vitória a nenhum dos candidatos, a Constituição do Chile a época previa que deveria ocorrer um 2 turno, que dessa vez seria decidido não pela população, mas sim pelo Congresso Nacional do país.

Com a votação indo para o Congresso, uma operação externa foi montada para garantir a vitória de Allende. O marxista radical chileno era um dos mais importantes contatos da KGB e de Cuba na América Latina, tendo sido sua vitória saudada como o triunfo das ‘’forças progressistas revolucionárias’’ contra o ‘’imperialismo capitalista americano’’ na América-Latina. 

As relações de Allende com Cuba já eram conhecidas quando o chileno ainda era vivo, mas sua ligação com a KGB soviética foi trazida á tona em detalhes pelo dissidente e ex-arquivista da KGB Vasili Mitrokhin. Vasili Mitrokhin, que morreu em 2004 aos 82 anos, era major e arquivista sênior dos arquivos da KGB, para a qual trabalhou durante cerca de 10 anos. Em 1992, já desiludido com o sistema soviético, abandonou a União Soviética e procurou asilo no Reino Unido, fornecendo a inteligência britânica uma vasta coleção de arquivos de 25.000 páginas sobre as operações de inteligência da KGB desde á década de 30. 

Com os arquivos de Mitrokhin, o historiador inglês da Universidade de Cambridge, Christopher Andrew, reuniu todo o material em sua obra “The Mitrokhin Archive, Volume II: the KGB and the World’’, onde trazia revelações sobre a atuação da agência de inteligência soviética nos países do terceiro-mundo, durante as décadas de 60- 70, com pagamento de mensalidades a políticos aliados locais. Entre estes aliados estava Allende, cujo codinome enquanto colaborador secreto da KGB era ”LÍDER”, como consta nos arquivos.

Segundo os arquivos de Mitrokhin, reunidos nos livros de Andrew, o contato regular soviético com Allende depois de sua eleição, foi mantido não pelo embaixador soviético, mas pelo agente da KGB, Svyatoslav Kuznetsov, que foi instruído pelo centro a ”exercer uma influência favorável sobre a política do governo chileno”. De acordo com o arquivo da KGB de Allende, ele ”foi levado a compreender a necessidade de reorganizar o exército e os serviços de inteligência do Chile e de estabelecer uma relação entre os serviços de inteligência do Chile e da URSS”. 

Aliado de Allende, o ditador Fidel Castro passou a se intrometer na política chilena, colocando o serviço de inteligência cubano aos serviços do camarada marxista.

Em 1973, a KGB soviética trabalhou para conseguir consolidar a vitória de Allende. O marxista chileno pediu dinheiro soviético a Svyatoslav Kuznetsov, que saiu da Cidade do México em direção ao Chile com urgência para ajudá-lo. A quantia inicial de dinheiro que a KGB enviou para ajudar Allende nas eleições foi de US$400.000, além de subsídio adicional de 50.000 dólares.

Após as eleições do 1 turno no Chile, o então diretor da KGB, Yuri Andropov obteve permissão do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética para que fosse enviado uma quantia adicional a fim de garantir a vitória de Allende no Congresso. Em seu pedido, em 24 de outubro, Andropov afirmou que a KGB“realizará as medidas destinadas a promover a consolidação da vitória de Allende e sua eleição ao posto de Presidente do país”

Graças ao patrocínio soviético a campanha de Allende — com a suspeita de que tal dinheiro tenha sido usado para subornar políticos do Congresso para apoiá-lo  o socialista da Unidade Popular conseguiu eleger-se presidente, com o Congresso chileno votando para empossá-lo no cargo. Começava então o caminho para a ruína do Chile, que duraria 2 longos anos e levaria o país a beira de uma guerra civil.

Bom, até aqui temos um deputado socialista abertamente defensor da ditadura cubana, do radicalismo das guerrilhas armadas e comprovadamente um agente pago de um estado totalitário comunista. Prosseguimos.

Mesmo tendo sido eleito presidente, os deputados do Congresso chileno, receosos devido as posturas radicais esquerdistas de Allende e sua Unidade Popular, obrigaram o novo presidente a assinar um documento, em que se comprometia a preservar certos direitos constitucionais. O líder dos democratas-cristãos no parlamento chileno, Eduardo Frei Montalva, que havia sido presidente do Chile de 1964 a 1970, sabia muito bem o perigo que a eleição de Allende e de seus aliados da extrema-esquerda representavam para as instituições democráticas do Chile. 

Allende havia firmado uma aliança com os democratas-cristãos do parlamento chileno para eleger-se  o Partido Democrata Cristão era o que ocupava mais assentos no Congresso chileno a época  tendo estes votado de forma unânime para dar a vitória a ele em 1970. Radomiro Tomic, o candidato democrata-cristão, era simpático a Allende e o apoiou desde o começo, contribuindo para que seu partido desse a vitória a ele. Tomic representava a ala mais esquerdista da democracia-cristã chilena e logo após o resultado do 1 turno da votação, já em seguida reuniu-se com Allende. 

Mas Eduardo Frei sabia muito bem que Allende seria eleito não para preservar as instituições chilenas, mas sim para subvertê-las de modo a avançar sua agenda marxista-radical. 

Graças a pressão de Frei, os democratas-cristãos, em troca do apoio a Allende, obrigaram este a assinar um Estatuto das Garantias Democráticas. Essa lista de direitos individuais havia sido incorporada à Constituição em 1970 como condição para os democratas-cristãos elegê-lo com seus votos como presidente. Mais tarde, em entrevista ao jornalista marxista francês Régis Debray, Allende reconheceria que ele assinou este Estatuto apenas como uma manobra “tática”.(v: Regis Debray, La révolution chilienne: conversations avec Allende)

A eleição de Allende animaria os mais radicais comunistas e marxistas ao redor do mundo, que voltaram seus olhos para o experimento socialista no Chile, acreditando que estavam presenciando uma autêntica revolução. Assim que eleito, ficou cada vez mais evidente que Allende não possuía nenhuma lealdade para com a soberania nacional e Constituição chilena, mas sim para com seus aliados comunistas cubanos e soviéticos de longa data. 

Assim que eleito presidente, Allende fez a política externa do Chile totalmente subordinada aos interesses do bloco comunista, aproximando-se do regime comunista de Cuba e da URSS, esta última para qual trabalhava como agente pago.

Analisando a chegado ao poder da extrema-esquerda marxista no Chile com Allende, disse o diplomata venezuelano Carlos Rangel em sua famosa obra ”Del buen salvaje al buen revolucionario”(1974):

“Allende estava comprometido, senão consigo mesmo, com os elementos castristas e guevaristas da Unidade Popular, em tentar transformar a sociedade democrática, de transação, de valores compartilhados, homogênea, tolerante, respeitosa das idéias do outro, que efetivamente existia no Chile, até 1970(segundo reconhecem mesmo alguns allendistas, tal como Martner) numa sociedade marxista-leninista, grandemente inspirada no modelo cubano.”

Uma das primeiras ações de Allende no cargo de presidente, foi reatar as relações diplomáticas com Cuba e com a URSS. Após a eleição de Allende, Fidel Castrou viajou ao Chile em 1971, onde foi recebido com pompas por Allende e percorreu o país fazendo comícios e discursos saudando a vitória do aliado. O episódio ajudou a causar ainda mais desconfiança sob o governo de Allende, que já mostrava sua aliança e preferência a regimes totalitários como o de Cuba e da URSS.  

Em 1972 Allende viajou oficialmente a URSS onde reuniu-se com o ditador soviético Leonid Brejnev e foi agraciado com o Prêmio Lênin da Paz. Segundo a pasta dos arquivos da KGB, os soviéticos solicitaram a Allende reorganizar o exército e os serviços de inteligência chilenos e estabelecer relações entre o Chile e a inteligência soviética. Allende respondeu positivamente. Na ocasião chegou até mesmo a afirmar que alcançou uma “identidade completa de pontos de vista” com os líderes comunistas soviéticos. 

O serviço de inteligência cubano, a DGI(Dirección de Inteligencia) também passou a atuar livremente no país e trabalhar até mesmo na segurança pessoal do presidente. O segundo chefe da Inteligência cubana, Luis Fernandez de Oña, que se casou com a filha de Salvador Allende, Beatriz “Taty” Allende, passou a desempenhar funções de chefia do GAP(Grupo de Amigos do Presidente), responsável pela segurança pessoal de Allende.

Já no poder, Allende e seus aliados não preocupavam-se mais em usar o véu de ”democráticos”  e ”moderados” para ocultar seus reais intuitos. Em 1971, logo após os primeiros meses de governo da Unidade Popular, não havia mais dúvidas das  ambições totalitárias e violentas de Allende e seus aliados do Partido Socialista e Comunista.  No Congresso do Partido Socialista do Chile em 1971, foi novamente retomada a defesa explícita da violência revolucionária para se alcançar a revolução socialista, que havia ditado os Congressos do Partido Socialista em Chillán em 1967, que defendia a linha da revolução violenta. Essa linha política foi novamente confirmada no Congresso realizado em 1971 na cidade de La Serena. 

Outra ação que mostrou sua fidelidade ao extremismo revolucionário da esquerda-marxista, também ficou evidente logo que tomou posse. Allende e a Unidade Popular tudo faziam para estimular e proteger grupos terroristas-marxistas no país. O terrorismo de grupos armados financiados por Fidel Castro se alastrou como nunca, ameaçando e matando opositores do governo.

O governo marxista de Allende passou a dar proteção e anistia a grupos terroristas de extrema-esquerda do Chile, em especial ao MIR, grupo guerrilheiro que na década de 60 cometeu vários crimes no país.

Na esfera da extrema-esquerda armada chilena, desde 1965, o Movimento Izquierda Revolucionária(MIR), pregava e defendia a via da luta armada guerrilheira para alcançar a revolução. Muitos de seus quadros receberam treinamento em táticas de guerrilha armada em Havana. 

A partir de 1966, com a criação, em Cuba, da Organização Latino-Americana de Solidariedade, sugerida por Allende e patrocinada por Cuba, e o início da campanha guerrilheira de Che Guevara, na Bolívia, passaram a exercer uma decidida influência em favor da luta de guerrilhas em toda a América Latina. Nesse período, o MIR, passando para a clandestinidade, iniciou uma série de ações espetaculares de assaltos a bancos, a título de expropriação, para financiar suas atividades. Suas ações terroristas e paramilitares estenderam-se até a década de 90 no Chile. 

A inteligência cubana estava ajudando e equipando o MIR, enviando quantidades de armas aos membros do grupo terrorista como também ao Partido Socialista e Comunista, de modo a preparar a luta armada ”revolucionária”. Tudo isso é claro com o consentimento de Allende. Como afirmou o oficial de inteligência e embaixador cubano Ullises Estrada:

”Fidel me instruiu a sair o mais rápido possível para o Chile e dizer a Allende por ordem dele que, se não pudéssemos ajudar o MIR, também suspenderíamos nossa ajuda aos socialistas e comunistas. Nós não ajudaríamos ninguém. Ele insistiu: ‘Veja como você diz a ele, mas essa é a nossa posição’ (…). No dia seguinte à nossa chegada, fomos recebidos por Allende (…) Após uma breve introdução, continuei dizendo que Fidel havia decidido retirar nossa ajuda aos socialistas e comunistas, porque todo mundo ia descobrir que suspendemos nossa ajuda ao MIR e isso deixaria Cuba em uma posição política muito complicada. Allende me interrompeu e me disse que sabia que essa seria a posição de Cuba. E acrescentou: ‘Diga a Fidel que não há problema em ajudar o MIR”(v.https://issforum.org/reviews/106-chile#_ftn8).

Além do MIR, surgiram também outros grupos terroristas armados no campo marxista, como a VOP (Vanguarda Organizada do Povo) e o MAPU (Movimento de Ação Popular Unitário). Muitos membros do MIR, VOP e MAPU, devido a suas ações criminosas e terroristas acabaram presos. Mas, com a eleição de Allende, grupos de extrema-esquerda como o MIR passariam a contar com proteção política do próprio governo, com Allende assinando um decreto para anistiar vários terroristas do MIR que estavam presos. 

Outro decreto dissolveu o Grupo de Polícia Móvel, encarregado de controlar e combater grupos violentos extremistas e responsável pela prisão de muitos dos terroristas perdoados pouco antes. Dessa forma, os grupos policiais responsáveis por garantir a segurança dos cidadãos contra os grupos radicais nascidos nos anos anteriores desapareceram. 

O resultado dessas medidas foi uma maré crescente de assassinatos. Houve uma variedade de crimes patrocinados pelo governo de Allende. Os mais conhecidos são os assassinatos de membros da polícia e do exército. Destes, o MIR teria assassinado sete pessoas nos três anos do Governo da Unidade Popular de Allende. Por sua vez, a VOP matou o ex-ministro do Interior e ex-vice-presidente do governo antes da chegada de Allende, Edmundo Pérez Zujovic. Os autores materiais do assassinato foram os mesmos terroristas que foram perdoados no primeiro decreto de Allende. Membros do MIR passaram a fazer parte do GAP chefiado por Luis Fernandez de Oña.

Allende, em seus 3 anos de governo, descumpriu todos os juramentos que ratificou constitucionalmente com os democratas-cristãos ao tomar posse. A demência de transformar o Chile numa nação socialista, fez a Unidade Popular aproximar-se mais do modelo da União Soviética e da Cuba de Fidel Castro, e distanciar-se mais das tradições democráticas do país. Allende violou os direitos de propriedade, confiscando empresas, fazendas, indústrias, ativos bancários, sem nenhuma indenização. 

Entre as ações dos radicais de esquerda do MIR e da VOP, destacam-se os assassinatos de membros de outros partidos políticos. Assim, Héctor Castilla, da Democracia Cristã, foi assassinado em retaliação pela vitória de suas associações de estudantes nas universidades chilenas. Também Rolando Matús, membro do Partido Nacional, morto por militantes socialistas que colaboram com o MIR. E o frustrado atentado ao ex-presidente Patricio Aylwin, que acabou escapando do ataque.

O livro “La Verdad Histórica-El Ejercito Guerrillero”, editado no Chile em setembro de 2000, nos revela com mais detalhes o gigantesco plano de subversão armada que estava sendo orquestrado no Chile a época. Segundo a obra, milhares de chilenos dos partidos Comunista, Socialista e do MIR realizaram cursos de instrução militar em Cuba, Argentina, Alemanha Oriental, Argélia, Líbia, União Soviética e outros países, nos quais os comunistas chilenos receberam treinamento em táticas terroristas de guerrilha. O livro dá a conhecer os nomes e nacionalidades de mais de 20 mil homens e mulheres que integravam o Exército Guerrillero Internacional que se queria construir no Chile, muitos deles cubanos inclusive. 

Essa perspectiva é confirmada pelo historiador australiano Brian Crozier, fundador do Instituto de Estudos de Conflitos de Londres: “Durante seus três anos no poder, Allende transformou seu país, de fato, em um satélite cubano e, portanto, uma adição incipiente ao Império Soviético. … até então o Chile poderia ser francamente descrito como um estado marxista em termos ideológicos e econômicos … de uma perspectiva estratégica, havia se tornado uma base importante para operações subversivas soviéticas e cubanas, incluindo terrorismo para toda a América Latina. … a KGB soviética estava recrutando membros para cursos de treinamento em terrorismo … especialistas norte-coreanos estavam ensinando jovens membros do Partido Socialista de Allende.”(v. The rise and fall of the Soviet Empire, 1999).  

Haviam também tentativas de iniciar subversões dentro das próprias Forças Armadas do país. Carlos Altamirano, ex-secretário geral do partido socialista, e Oscar Garretón, do Movimento de Ação Popular Unitaristas, ambos líderes da Unidade Popular de Allende, foram apontados pela Marinha como os autores intelectuais de um plano de motim dos marinheiros na cidade de Valparaíso.

O governo Allende também usou da violência estatal para controlar a economia do país, estatizando empresas para controlar a economia e a vida do povo. Oficialmente, o Chile havia renunciado ao livre mercado e as liberdades civis pautadas na propriedade, em favor do projeto de planificação socialista da economia e da propriedade. Assim que assumiu a presidência, Allende entregou os ministérios da área econômica aos comunistas, que como se esperava, logo iniciaram um massivo programa de confisco de propriedades e estatização de vários setores da economia chilena, como indústrias de mineração, minas de cobre, bancos e grandes fábricas. Muitas destas medidas enfrentavam resistência do poder Legislativo do país.  

Logo os efeitos negativos e desastrosos de tais medidas começaram a serem sentidos. Investidores estrangeiros começaram a deixar o país, já que o governo estatizara suas empresas. O governo também aplicou medidas de controle de preços, expansão com programas sociais e aumento de salários. Para subsidiar tais políticas, o governou recorreu a impressão desenfreada de dinheiro, o que produziu uma inflação gigantesca no país, chegando á 300% ao ano.

Além de grandes indústrias e setores da economia, o governo aplicou um programa de estatização também da agricultura e passou a encorajar e legitimar grupos radicias do campo a invadirem e confiscarem terras. O governo, ao instituir a reforma agrária, insuflou invasões de grupos de esquerda nas propriedades rurais privadas, em vias de estatizá-las. Os conflitos de terras causaram uma queda abrupta da produção de trigo do país e uma onda de assassinatos políticos no campo. Na prática, o governo tentou coletivizar a agricultura e abolir o direito a propriedade rural.

Em particular, vários proprietários de terra foram assassinados por radicais de esquerda. O Chile, que era um dos maiores produtores de trigo do mundo, experimentou uma queda de 50% de sua produção, o que gerou escassez entre a população. Dias antes da derrubada de Allende, o trigo ameaçava simplesmente sumir. A crise econômica escasseara os alimentos e outros bens de consumo, e a população rapidamente empobreceu. Nos terríveis dias de caminhada para o marxismo-leninismo, o povo chileno esperava filas e mais filas de racionamento para a compra de mercadorias controladas pelo governo. E o governo liberava papéis de racionamento, com o intuito de controlar os víveres e os passos da população.

A Unidade Popular tentou, por todos os meios, censurar a imprensa recalcitrante e a oposição. Jornais foram ilegalmente fechados e jornalistas foram presos arbitrariamente por Allende. Membros da Juventude do Partido Socialista faziam ataques as estações de rádio ligadas ao jornal oposicionista El Mercurio, um jornal que finalmente conseguiu ser fechado por Allende.

O governo também teve diversos atritos com o poder Judiciário do país, já que vivia interferindo em decisões deste, violando a independência da justiça. Em 1973, a Suprema Corte censurou Allende por violar os poderes desse órgão, o que resultou em uma violenta disputa epistolar entre eles. A Unidade Popular desenvolveu a teoria jurídica incomum das “brechas legais”, com a qual não apenas houve progresso na intervenção estatal de várias empresas privadas de todos os tamanhos, mas estava destruindo fatalmente a confiança pública necessária nas instituições fundamentais da República. 

Em 26 de maio de 1973, em protesto contra a recusa do governo em cumprir uma decisão judicial, a Suprema Corte decidiu por unanimidade dirigir-se ao Presidente da República: “Esta Suprema Corte é obrigada a representar sua Excelência pela enésima vez, a atitude ilegal da autoridade administrativa em sua interferência ilegal em questões judiciais, bem como de colocar obstáculos à polícia uniformizada na execução de ordens dos tribunais criminais; ordens que, de acordo com as leis atuais, devem ser executadas pela referida força policial sem obstáculos de qualquer tipo; tudo isso implica um desprezo aberto e voluntário às decisões judiciais, com total ignorância das alterações que tais atitudes ou omissões produzem na ordem jurídica; como Sua Excelência estava representada em um escritório atitudes anteriores que também implicam não apenas uma crise no estado de direito, mas também a quebra peremptória ou iminente da lei igualdade da nação”.

Allende, em discurso público alguns dias depois, respondeu com uma declaração que deixava claro seus anseios da aparelhar o poder judiciário para seus objetivos políticos: “Em um período de revolução, o poder político tem o direito de decidir no último apelar se as decisões judiciais correspondem ou não aos altos objetivos e às necessidades históricas de transformação da sociedade, que devem ter precedência absoluta sobre qualquer outra consideração; consequentemente, o Executivo tem o direito de decidir se deve ou não executar acórdãos de justiça”.

Destruindo os consensos políticos da democracia, acirrando conflitos sociais com o discurso de luta de classes, apelando a radicalização política, passando por cima dos outros poderes, aplicando políticas econômicas desastrosas, o governo Allende levou o país a um estado de colapso social, econômico, político e institucional nunca antes visto na história do Chile.

Nos últimos meses de governo, a maioria da população já não suportava mais os desmandos do governo de Allende e a impressão que tinham era que o Chile havia entrado em estado de guerra civil. O governo estava arruinando a economia, as instituições democráticas e ameaçava gravemente a liberdade civil e política de seu povo. Nada fugia à lógica marxista-leninista de seu governo, que em nome da ”revolução proletária”, imporia uma ditadura. 

Após 3 anos de governo, violando constantemente garantias constitucionais, descumprindo o documento que assinara se comprometendo a cumprir a Constituição, a Câmara dos Deputados do Chile informou aos ministros e às Forças Armadas, que o presidente Salvador Allende estava na ilegalidade, por “grave quebra da ordem constitucional e legal”, selando o destino do governo.

Na quarta-feira, do dia 22 de agosto de 1973, toda a Câmara dos Deputados foi convocada para “analisar a situação política e jurídica que afeta o país”. Naquele reunião, os deputados do Partido Democrata-Cristão e do Partido Nacional decidiriam que o governo de Allende não estava respeitando o Estatuto das Garantias Democráticas que havia possibilitado sua eleição em 1970. Ao final da sessão, por votação majoritária, a Câmara dos Deputados considerou que Poder Executivo sob o governo de Allende havia deixado de cumprir a Constituição e a Lei, o que resultou na ilegitimidade da mandato e exercício do Presidente da República. A decisão também foi respaldada pela Suprema-Corte chilena. Ou seja, a ordem de derrubar o governo não partiu do alto-comando do exército, mas sim de poderes legalmente constituídos, como o Congresso e o poder Judiciário, que declararam ilegitimo o governo de Allende. 

No dia seguinte a decisão da Câmara dos Deputados, o jornal El Mercurio colocava em sua primeira página: “Acordo declarado da Câmara dos Deputados: o governo violou seriamente a constituição”. O governo do Presidente Allende era acusado pela Câmara dos Deputados de vinte violações específicas da Constituição e das leis, entre as quais destacaram proteger grupos armados, torturar, prender pessoas ilegalmente, amordaçar a imprensa, manipular a educação, limitar a possibilidade de deixar o país, confiscar propriedade privada, formar organizações sediciosas, violar os poderes do judiciário, do Congresso e da Controladoria, e tudo isso sistematicamente e para se estabelecer no Chile ” um sistema totalitário “, isto é, uma ditadura comunista. 

No dia seguinte ao comunicado da Câmara dos Deputados, em 23 de agosto, o Supremo Tribunal do Chile adotou uma resolução denunciando novamente as tentativas do governo de romper a independência do poder Judiciário do país. Como diz o historiador e sovietólogo Richard Pipes em seu livro ”Communism: A Brief History”(Harvard University, 1994)“Em Agosto de 1973, a Câmara de Deputados votou, 81 a 45, que Allende violara a Constituição usurpando seu poder legislativo, ignorando as leis do país e infringindo a liberdade de expressão. A Corte Suprema, por sua vez, condenou Allende por subordinar o Poder Judiciário ás duas necessidades políticas. Diante da ausência na Constituição chilena de provisões para o impeachment, a Câmara solicitou às forças armadas a restauração das leis da terra. Obedecendo a essa ordem, 18 dias depois, as forças armadas do Chile, chefiadas pelo general Augusto Pinochet, destituíram Allende.”

Após três anos de seu governo desastroso e violando constantemente garantais constitucionais que prontificou a respeitar, o Poder Judiciário e o Congresso do Chile em 1973 declararam ilegítimo o governo de Allende, convocando as Forças Armadas para depô-lo do poder.

Vinte dias após o comunicado, as tropas das Forças Armadas amanheceram nas ruas das principais cidades. Em 11 de setembro de 1973 entra em cena um general para mudar a história do Chile: Augusto Pinochet Ugarte. Pinochet, até então um obscuro e desconhecido general, passa a ter um papel fundamental no processo de derrubada de Allende e no desmantelamento da trama comunista de tomada de poder no Chile. Pinochet, curiosamente numa dessas sacadas irônicas do destino, foi indicado ao cargo de chefe do exército chileno por Fidel Castro, que o julgava com tendências comunistas. Na realidade, Pinochet era um convicto anti-comunista.

O general chileno, liderando as forças armadas, pôs fim a governo proto-totalitário de Allende e da Unidade Popular. O presidente foi, por várias vezes, instado pelos ministros militares a renunciar pacificamente, conforme se pode ouvir no CD vendido anexo ao livro “Interferência Indevida”, escrito por Patrícia Verdugo – esse CD narra, ao vivo, as comunicações entre os comandantes militares desde as primeiras horas de 11 de setembro. Allende recusou-se a renunciar afirmando que iria ”resistir”. Allende fora avisado que o Palácio La Moneda(Palácio Presidencial do Chile), onde se encontrava, seria bombardeado. Fez pouco caso e parece não ter acreditado, mesmo porque o La Moneda está localizado no centro de Santiago e não em um local isolado. Mesmo vendo o bombardeio e o Palácio começando a arder, não rendeu-se, mas seu governo já estava derrotado.

No dia 11 de setembro de 1973, Pinochet e as forças armadas chilenas frustravam as ambições imperialistas cubano-soviéticas no Chile, derrubando o governo do fantoche soviético, que para escapar da prisão certa pelos crimes que cometera, suicidou-se na mesma hora. Seus aliados do Partido Socialista, do Partido Comunista e do MIR que não foram presos, exilaram-se. De acordo com o depoimento do desertor cubano e ex-agente do serviço secreto cubano, Juan Vivés, em seu livro“El Magnífico — 20 Ans au Service Secret de Castro” (Éditions Hugo et Compagnie, Paris, 2005), Allende teria sido executado por seus próprios seguranças cubanos por ordens de Fidel, já que queria exilar-se na embaixada da Suécia. 

Pinochet, nos anos seguintes, reprimiu duramente os movimentos comunistas e terroristas de esquerda que ambicionavam desde á década de 60 tomar o poder pala violência. Herdando uma economia dilacerada pela inépcia econômica da Unidade Nacional, fez um revolucionário projeto econômico no país, que abriu as portas do Chile ao mundo e impulsionou a economia do país. Familiarizado com as ideias liberais, Pinochet convocou cerca de 25 jovens economistas liberais que o auxiliaram em seu plano econômico. Estes economistas realizaram amplas reformas liberais na economia, privatizando empresas estatais falidas e saneando o Estado, adotando políticas pró livre-mercado. Em pouco tempo a economia chilena, dilacerada por Allende, se recuperou e voltou a crescer. 

Os resultados, a longo prazo, foram duradouros: Pinochet transformou o Chile em uma das economias mais prósperas da América Latina. Uma sucessão de governos eleitos no Chile desde então manteve as reformas de livre mercado introduzidas sob Pinochet e o país prosperou. Em 1982, a inflação do Chile estava em 9,9%, comparada a 352% em 1973. O PIB país após a adoção de mais medidas liberais, como a redução dos gastos estatais, privatizações e reduções de impostos, cresceu 169% entre 86 e 93, indo de $17,7 bilhões em 1986 para $47,7 bilhões em 1993, e o desemprego caiu chegando a 6,3% em 1993. Durante os anos de 1973 e 1993, o PIB per capita do Chile subiu 79,8% em dólares constantes, passando de US$ 4200 em 1973 para US$ 7552 em 1993. Todos esses feitos foram chamados a época de ”milagre chileno”. Hoje o Chile é o país com a maior renda per capita da América-Latina e com os maiores indicadores de desenvolvimento humano e sócio-econômico da região.

Muitos podem fazer a objeção de que apesar dos grandes avanços econômicos, Pinochet governou o país de forma autoritária e de que seu regime foi marcado por casos de violações aos direitos humanos. Nada disso é mentira. Mas o que se deve ter e conta é de o emprego da força e da violência por Pinochet e os militares chilenos era inevitável e necessário para desmantelar a trama da extrema-esquerda marxista chilena, que certamente com o poder total em mãos, não teria exitado em sacrificar milhões de vidas para levar seu projeto comunista adiante, como aliás ocorreu na União Soviética, na China de Mao Zedong, na Cuba de Fidel Castro, no Camboja de Pol-Pot, etc. Perto da dimensão de mortes causadas pelo comunismo no século XX, é quase patético condenar Pinochet como um ”ditador sanguinário”, sendo que o general combateu e liquidou justamente aqueles que queriam fazer do Chile uma ditadura genocida aos moldes marxista-leninistas, assassinando qualquer um em seu caminho, como aliás já estavam fazendo no país. 

Com a derrubada de Allende em 11 de setembro de 1973, entra em cena o General Augusto Pinochet, uma figura até então desconhecida mas que marcaria para sempre a história do Chile.

Pinochet lembra uma similaridade comum em várias ditaduras de direita: a resistência autoritária contra uma ação totalitária, nesse caso o comunismo. Na verdade, Pinochet não era partidário do ”fascismo”, mas sim de uma reação contra um projeto político muito mais violento e cruel representado por Allende e a Unidade Popular, projeto esse que já havia deixado milhões de mortos na URSS e na China Popular em nome da lógica da violência marxista da ”revolução do proletariado”.

Pinochet e os demais militares latino-americanos na década de 60-70, representavam uma força de reação ao avanço do projeto comunista patrocinado por Cuba e pela União Soviética, e inevitavelmente, para combater um movimento tão violento quanto o comunismo internacional, teriam que apelar para a força para impedir os anseios expansionistas de Castro e os soviéticos na América-Latina. Inegavelmente, os militares no Chile, Argentina, Uruguai e Brasil representavam um mal muito menor que aqueles que hoje os condenam mas que ansiavam por algo muito pior.  

Em 13 de setembro de 1973, a influente revista de opinião britânica The Economist publicou um editorial intitulado The End of Allende”. Na edição a revista era muito clara ao atribuir a responsabilidade pela ruptura ocorrida dois dias antes afirmando: “A morte transitória da democracia no Chile será lamentável, mas a responsabilidade direta pertence claramente ao Dr. Allende e aos de seus seguidores que constantemente criticam a Constituição”.

O editorial vai ainda mais longe e atribuindo a Allende a responsabilidade pela violência subsequente: “A batalha parece ter acabado de começar. Com a maioria dos canais de comunicação do Chile com o mundo exterior ainda restrita, é difícil ter uma idéia mais completa. da violência que aparentemente continua. Mas se uma sangrenta guerra civil começar, ou se os generais que agora controlam o poder decidirem não convocar novas eleições, não haverá dúvida sobre quem é responsável pela tragédia do Chile do Dr. Allende e dos partidos marxistas que aplicaram uma estratégia para controlar o poder total, a ponto de a oposição perder a esperança de controlá-los por meios constitucionais “.

É claro que hoje, a maioria da grande mídia repudiaria rapidamente tais afirmações(tal como este artigo), acusando-o de ”cumplicidade com o fascismo”. Mas os fatos narrados pelo The Economist são irrefutáveis.

Como o governo da Unidade Popular de Allende restringia as liberdades econômicas, sociais e políticas com o objetivo de fazer sua revolução marxista, uma forte resistência civil emergiu das mais diversas áreas da sociedade chilena que logo se tornaram uma avalanche, protestos, manifestações, greves e reclamações. Os poderes legalmente constituídos como o Congresso e o Judiciário, frente aos desmandos e violações de Allende, consideraram seu governo ilegítimo e depois as Forças Armadas obedecerem ao chamado da sociedade chilena, do Congresso e do Judiciário, e removeram à força o presidente que estava violando sistematicamente a Constituição da República.

Em 1988, após 15 anos no poder, Pinochet convocaria um plebiscito popular para consultar a população se deveria devolver o poder para as autoridades civis novamente. O resultado do plebiscito terminou com o resultado de 44% dos chilenos preferindo sua permanência no poder contra 56% pedindo o fim de seu governo militar. Apurados os resultados, o general deixou o poder sem resistência. O Democrata-Cristão Patrício Aylwin venceu as eleições gerais para a presidência em 1990, tornando-se presidente do Chile e pondo um fim definitivo ao governo de Pinochet. O próprio Aywin reconheceu a colaboração que os radicais marxistas da Unidade Popular de Allende deram ao enterramento definitivo da democracia chilena:

“O governo de Allende esgotou, no maior fracasso, o caminho chileno para o socialismo e estava se preparando para consumar um auto-golpe para estabelecer a força da ditadura comunista. O Chile estava à beira do “golpe de Praga”, que seria tremendamente sangrento, e as Forças Armadas só avançaram para esse risco iminente”.(El Mercurio, 17 de setembro de 1973)

Não foi uma declaração isolada do futuro presidente do Chile. Um mês depois, Aylwin reafirmou seus pensamentos afirmando:

“A verdade é que a ação das Forças Armadas e do Corpo de Polícia passou a ser nada mais do que uma medida preventiva que antecipava um golpe de estado do Estado, que com a ajuda das milícias armados com um enorme poder militar à disposição do governo e com a colaboração de não menos de dez mil estrangeiros neste país, eles pretendiam ou teriam consumado uma ditadura comunista “(La Prensa, 19 de outubro de 1973).

É impossível, à luz de todo esse cenário, não concluir que a intervenção militar das forças armadas no Chile em 11 de setembro de 1973 foi o resultado de uma rebelião civil-militar diante de uma tirania disfarçada de ”democracia”. A tomada de poder por Pinochet significou a morte transitória da democracia no Chile, o que foi algo lamentável, mas não se deve esquecer quem tornou esse processo inevitável. O ”golpe” ocorreu, mas na realidade não foi dado pelos militares chilenos, mas sim por Allende e seus aliados da extrema-esquerda, que desde que assumiram o poder em 1970, já estavam dando um golpe silencioso nas instituições do país.

É claro que graças a manipulação e falsificação dos grandes jornais(hoje meros repetidores de chavões e clichês esquerdistas), os verdadeiros culpados pelo sepultamento da democracia chilena em 1973 seguem impunes e ainda adoram ostentar o ar de ”vítimas perseguidas”, enquanto são rotineiras as campanhas de ódio e condenações contra o falecido general Pinochet e seus apoiadores. 

Como no mundo quem escreve a história são sempre os esquerdistas, é claro que todos estes fatos narrados e apresentados certamente não foram ensinados ao leitor em seus livros de história do ensino-médio, nem mencionados por jornalistas em suas colunas na Folha de São Paulo. A história sempre repetida nos jornais e livros é a do ”inescrupuloso ditador Augusto Pinochet” que, ”aliado aos EUA”, deu um ”golpe” de Estado no Chile em 11 de setembro de 1973 contra um presidente ”democrático”.

Resta saber por quanto tempo ainda deixaremos que jornalistas da Folha e livros de história marxistas fraudulentos continuem a nos enganar de forma tão descarada.

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