A batalha das vacinas

Governadores de vários estados brasileiros estão negociando a aquisição de doses da CoronaVac diretamente com o governo de São Paulo, e rivalidade de Doria e Bolsonaro cresce.

Governadores de vários estados brasileiros estão negociando a aquisição de doses da CoronaVac diretamente com o governo de São Paulo, e rivalidade de Doria e Bolsonaro cresce.

O clima que já não era nada amistoso se acirrou mais nesta segunda-feira (7), quando o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que o estado começaria a aplicar a CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantã, antes mesmo do início do programa nacional de imunização. A vacina ainda não tem registro da Anvisa

Segundo levantamento do portal Congresso em Foco, pelo menos 11 estados estão negociando a compra da CoronaVac com Doria: Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Pará, Paraíba e Pernambuco. 

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), informou que desde o mês passado vem negociando com Doria e o Butantã para a aquisição da vacina.

​Além disso, pelo menos quatro capitais demonstraram interesse pela vacina: Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Rio de Janeiro. O governador de São Paulo, por sua vez, disse que vai disponibilizar o imunizante para outros estados.

​O Ministério da Saúde chegou a anunciar acordo para a compra de 46 milhões de doses do imunizante da Sinovac. No entanto, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo não compraria a vacina e afirmou que os brasileiros não seriam “cobaias”. 

De acordo com calendário do governo federal, a campanha de vacinação vai começar em março, dividida, inicialmente, em quatro fases. Ao anunciar o plano, o Ministério da Saúde não citou a CoronaVac. O governo informou nesta segunda-feira (7) que está negociando a compra da vacina da Pfizer, usada no Reino Unido. 

Pazuello x Dória

Em reunião virtual entre governadores e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), questionou se o governo federal vai comprar a vacina desenvolvida pelo Instituo Butantan em parceria com um laboratório chinês. Doria anunciou que vacinação em São Paulo começará em 25 de janeiro. Mas a vacina Coronavac, depende de aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

CLIMA TENSO Troca de farpas e acusações entre governador e ministro mostram insatisfação de ambas as partes na ‘corrida pela vacina’.

A resposta do Presidente

Nesta terça (8/12), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) rebateu Dória e disse que os imunizantes disponibilizados pelo Brasil não serão usados para “fins políticos”.

SEM SELFIE DESSA VEZ Clima entre o PR e o Governador de SP esquenta.

Após a declaração de Dória, que estipulou para 25 de janeiro o início da imunização em São Paulo com as doses fabricadas pelo laboratório Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, diversas reações foram geradas. O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)Antônio Barra Torres, por exemplo, desejou “boa sorte” ao governador de São Paulo e disse que não trabalha com prazos para aprovação da vacina.

Na terça, foi a vez de Jair Bolsonaro se manifestar de forma mais contundente. Nessa segunda, Bolsonaro disse que o Brasil ofertaria vacina a todos, de forma gratuita e não obrigatória. Hoje ele repetiu que os brasileiros terão a opção de não serem imunizados, mas completou dizendo que as doses disponibilizadas pelo Ministério da Saúde não serão utilizadas para “fins políticos”.

“O Brasil disponibilizará vacinas de forma gratuita e voluntária após comprovada eficácia e registro na Anvisa. Vamos proteger a população respeitando sua liberdade, e não usá-la para fins políticos, colocando sua saúde em risco por conta de projetos pessoais de poder”, publicou o presidente em uma rede social.

Também na terça, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil já tem garantidos 300 milhões de doses de vacina contra o novo coronavírus. Ele assegurou que o país receberá 100 milhões de doses da vacina de Oxford em janeiro e mais 160 milhões no segundo semestre. Além disso, 42 milhões virão do consórcio da Covax Facility por intermédio da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Newsletter

Não perca nenhuma notícia.

Inscreva-se em nossa newsletter gratuita e receba em primeira mão as notícias mais importantes.

Veja nossas  Políticas de Privacidade

Publicidade

Publicidade

Matérias Relacionadas